A crise provocada pela proibição das casas de apostas ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (29). Dirigentes de clubes brasileiros passaram a discutir a possibilidade de paralisar o Campeonato Brasileiro como forma de pressionar o governo federal pela criação de um período de transição para os contratos de patrocínio. A articulação ocorre após o esvaziamento de uma reunião que seria realizada com representantes do Executivo.
O movimento ganhou força depois que o governo editou, em 25 de setembro, a Medida Provisória que proibiu a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. As plataformas têm até 6 de outubro para sair do ar, enquanto os contratos publicitários ligados às bets ficam diretamente ameaçados pela nova regra.
A pressão dos clubes também chegou ao Supremo Tribunal Federal. O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu a suspensão da MP ou, alternativamente, um período de transição de pelo menos seis meses para permitir a reorganização dos contratos. Em 2025, os patrocínios de bets aos clubes da Série A movimentaram cerca de R$ 1,03 bilhão, segundo levantamento citado pela imprensa.
Até o momento, portanto, não há paralisação oficialmente anunciada do Brasileirão. O que existe é uma articulação de dirigentes para usar a possibilidade de interromper a competição como instrumento de pressão. A disputa agora coloca de um lado a decisão do governo de extinguir imediatamente o mercado legal de bets e, de outro, clubes que alegam precisar de tempo para absorver o impacto financeiro da medida.




