Carta ao STF cita “salve geral” se Marcola e Beira-Mar fossem sequestrados pela CIA

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um pedido de habeas corpus preventivo enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) levantou um cenário extremo: uma eventual retirada de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do sistema prisional brasileiro por agentes dos Estados Unidos poderia desencadear ataques coordenados pelo país. A hipótese consta de uma petição manuscrita apresentada pelo pastor Oséas de Campos ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, em 2 de junho de 2026.

 

No documento, Oséas pediu que os dois presos fossem transferidos para local cuja localização fosse conhecida apenas pela Justiça, pelo Ministério Público e por familiares. A petição apontou o governo dos Estados Unidos como autoridade responsável pela suposta ameaça e mencionou a possibilidade de um “salve geral” caso Marcola ou Beira-Mar fossem sequestrados. Não há, porém, evidência apresentada no processo de que a CIA tenha planejado ou tentado executar uma operação desse tipo no Brasil.

 

O episódio ocorreu justamente no período em que Washington endureceu o tratamento dispensado às duas facções. Em 29 de maio, PCC e Comando Vermelho foram incluídos pelos Estados Unidos como grupos terroristas globais especialmente designados e, em 5 de junho, passaram também a constar oficialmente como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs). A classificação está registrada pelo governo norte-americano.

 

Fachin, entretanto, negou seguimento ao habeas corpus em 22 de junho. O ministro concluiu que não havia ato concreto de uma autoridade que justificasse a atuação originária do Supremo. A petição foi encaminhada à Defensoria Pública de São Paulo para avaliação de eventuais providências. Assim, o alerta sobre sequestro e “salve geral” permaneceu no campo da hipótese apresentada pelo autor do pedido — e não de uma operação comprovada dos Estados Unidos.

 

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