O governo federal estuda liberar cerca de R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para aproximadamente 10 milhões de trabalhadores, como parte de um pacote econômico voltado à redução do endividamento das famílias. A informação foi confirmada pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em entrevista divulgada nesta quinta-feira (9).
A proposta surge em meio ao diagnóstico do próprio governo de que o nível de endividamento da população brasileira se tornou um dos principais entraves à recuperação econômica. Segundo Marinho, a ideia é estruturar uma ampla renegociação de dívidas com participação de instituições financeiras, permitindo redução significativa no valor das parcelas pagas pelos trabalhadores.
O saque previsto deve complementar medidas anteriores relacionadas ao saque-aniversário do FGTS, especialmente para trabalhadores demitidos que tiveram parte dos recursos bloqueados como garantia de empréstimos. Há, inclusive, um “resíduo” de valores não liberados integralmente em ações passadas, que agora pode ser destravado.
Apesar do anúncio, o próprio ministro reconhece que o uso do FGTS será apenas uma parte — e não o centro — de um pacote mais amplo. Outras medidas em análise incluem mudanças no crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, com a possibilidade de usar valores maiores do FGTS como garantia, o que poderia reduzir juros.
Nos bastidores, a iniciativa também reflete uma tentativa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de corrigir distorções de programas anteriores, como o Desenrola, que não atingiu o impacto esperado. A nova estratégia busca dar mais fôlego financeiro às famílias, mas levanta questionamentos sobre o uso recorrente do FGTS como instrumento de política econômica.
A medida ainda está em fase de estruturação e deve ser detalhada nos próximos dias, junto a outras ações voltadas ao crédito e à reorganização das dívidas no país.




