Assessor do Planalto diz que Washington avançou com Daniel Perez sem o consentimento brasileiro; indicado de Trump já foi aprovado pelo Senado americano
O ex-ministro das Relações Exteriores e atual assessor-chefe da Presidência, Celso Amorim, classificou como “bizarra” a forma como os Estados Unidos conduziram a indicação de Daniel Perez para comandar a Embaixada norte-americana no Brasil. A declaração foi dada nesta quarta-feira, 12 de agosto, durante audiência na Câmara dos Deputados, ao explicar o impasse que mantém o representante escolhido por Donald Trump longe do posto em Brasília.
Segundo Amorim, Washington tornou o nome público e avançou com a confirmação no Senado antes de receber o agrément, consentimento prévio do país que receberá o chefe da missão diplomática. “E, talvez, o mais grave: eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro”, declarou. Para o assessor, o procedimento contraria as regras estabelecidas pela Convenção de Viena.
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O Senado dos Estados Unidos confirmou Perez em 7 de agosto, por 51 votos a 47, concluindo a etapa política da nomeação em Washington. Republicano da Flórida e aliado da administração Trump, ele ainda não pode assumir formalmente a embaixada porque o governo brasileiro não concedeu a autorização diplomática necessária.
Amorim ressaltou que o pedido não foi recusado, mas revelou que Lula decidiu não conceder novos agréments a nenhum país durante o período eleitoral. Na prática, o Planalto critica a pressa americana enquanto mantém a nomeação congelada por decisão política própria. O impasse já provocou a revogação do visto da embaixadora brasileira Maria Luiza Viotti e transformou até o protocolo diplomático em mais uma trincheira da campanha presidencial.




