Alcolumbre desafia PL e fecha a porta ao impeachment de Moraes

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Presidente do Senado afirma contar com 48 votos para permanecer no comando da Casa e sinaliza que não permitirá o avanço de pedidos de afastamento de ministros do STF, mesmo diante do fortalecimento da oposição.

A disputa pelo controle do Senado Federal em 2027 começa com um recado direto de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à oposição. O parlamentar calcula ter pelo menos 48 votos para continuar na presidência da Casa e demonstra disposição para enfrentar qualquer candidato lançado pelo Partido Liberal (PL). Entretanto, impõe uma condição política: não pretende dar andamento aos pedidos de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

As declarações foram relatadas por interlocutores do senador nesta segunda-feira (26), um dia após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O posicionamento antecipa um confronto entre o fortalecimento da bancada conservadora e a articulação de partidos do Centrão para preservar o atual comando do Congresso.

O número apresentado por Alcolumbre representa sete votos acima dos 41 necessários para conquistar a presidência do Senado. Entretanto, trata-se de uma projeção política, não de apoios formalmente confirmados em votação.

A confiança de Alcolumbre surge justamente quando o PL amplia sua presença no Congresso. A legenda terá 29 dos 81 senadores a partir de fevereiro, tornando-se a maior bancada da Casa. A nova composição foi consolidada após o segundo turno das eleições de 2026.

O partido trabalha para lançar o senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A candidatura representa uma tentativa da oposição de assumir o controle da pauta legislativa e ampliar a fiscalização sobre os demais Poderes.

A posição de Alcolumbre, porém, revela que o tamanho da bancada não será suficiente, por si só, para assegurar o comando do Senado. O atual presidente aposta na articulação com MDB, PSD e outras legendas de centro para construir uma maioria capaz de neutralizar o crescimento do PL.

iImpeachment de Moraes vira ponto central da disputa

A maior divergência entre os grupos envolve o futuro dos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes. Enquanto parlamentares da oposição defendem a análise das denúncias apresentadas contra o ministro, Alcolumbre sinaliza que não pretende permitir seu avanço.

A questão não é apenas política. A Constituição atribui ao Senado a competência para processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Entretanto, a tramitação das representações passa por procedimentos internos nos quais a presidência da Casa exerce influência decisiva.

Uma representação concreta já aguarda providências. A Petição 56/2026, apresentada em 30 de setembro por 29 senadores, solicita a responsabilização de Moraes com fundamento na Lei nº 1.079/1950. O registro oficial do Senado indica que o documento permanece aguardando despacho.

A apresentação da denúncia não comprova a prática de crime de responsabilidade. Para que um afastamento seja possível, é necessária a observância do procedimento legal e a apreciação dos fatos pelo Senado.

O posicionamento atribuído a Alcolumbre, portanto, evidencia um obstáculo político concreto para os parlamentares que defendem a abertura desse processo.

Lula e Centrão entram na equação

A reeleição de Lula também alterou o ambiente das negociações. Alcolumbre avalia que o resultado presidencial favorece a formação de uma coalizão de centro capaz de sustentar sua permanência no comando do Senado.

O mesmo movimento ocorre na Câmara dos Deputados, onde partidos do Centrão articulam a recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB). A estratégia busca preservar os principais espaços de poder do Legislativo diante da nova configuração partidária.

Alcolumbre já presidiu o Senado entre 2019 e 2021 e retornou ao cargo em fevereiro de 2025, eleito com 73 votos. Agora, sua pretensão é conquistar mais um mandato, desta vez enfrentando uma oposição numericamente fortalecida.

A eleição está prevista para 1º de fevereiro de 2027, quando os novos parlamentares assumirão seus mandatos.

Mais do que uma disputa por cargos, o confronto definirá quem terá influência sobre a agenda política do Senado, incluindo a tramitação de propostas do governo, indicações para tribunais superiores e pedidos de responsabilização de autoridades.

O recado de Alcolumbre deixa clara sua posição: aceita enfrentar a oposição nas urnas internas do Congresso, mas não pretende transformar os pedidos de impeachment de Alexandre de Moraes em prioridade de sua gestão.

Para o PL, o desafio será converter os 29 senadores de sua bancada em uma aliança mais ampla. Para Alcolumbre, será demonstrar que os 48 votos que afirma possuir resistirão ao voto secreto de fevereiro.

A eleição ainda está distante, mas a primeira linha de confronto já foi traçada: o PL quer ampliar seu poder no Senado, enquanto Alcolumbre pretende conservar o comando da Casa sem abrir espaço para o impeachment de Moraes.

 

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