Autoridades nomeadas por Lula receberam representantes da Reag Investimentos, gestora citada pela Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC no setor de combustíveis. Os encontros constam nas agendas oficiais.
Segundo a agenda pública do Banco Central, Gabriel Galípolo recebeu, em São Paulo, o presidente do conselho da Reag, João Carlos Falpo Mansur, em 12 de agosto, das 16h30 às 17h30, para tratar de “assuntos institucionais”. A reunião foi fechada à imprensa.
No Planalto, a Reag também aparece na agenda do então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (hoje na Saúde): em 14 de novembro de 2024, houve encontro com a Associação de Mineração da China, do qual participaram os sócios da Reag na China, Manoel Damasceno e Lina Xu.
As investigações do Gaeco/MPSP e da PF apontam que Mansur teria estruturado fundos (Hans 95, Anna e Mabruk II) usados pelo empresário Mohamad Hussein Mourad, dono da refinaria Copape, para ocultação de valores, com apoio de instituições de pagamento como o BK Bank. A Carbono Oculto cumpriu centenas de mandados na quinta-feira (28/8), mirando fintechs, fundos e empresas do setor.
Outro lado — Em nota, a Reag afirmou ter recebido “com surpresa” as citações, refutou qualquer atuação ilegal e disse colaborar com as autoridades. O Banco Central declarou que reuniões com agentes de mercado são rotineiras e muitas vezes tratam de temas protegidos por sigilo. Padilha informou que a reunião de 2024 integrou a preparação da agenda oficial da visita do presidente Xi Jinping ao Brasil naquele ano.
Contexto — A presença recorrente da Reag em agendas de órgãos federais e reguladores reacende a discussão sobre governança e critérios de integridade nos encontros entre governo e empresas sob investigação, sobretudo quando operações policiais expõem conexões entre o mercado financeiro e o crime organizado.
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— Notas de apuração (para conferência, não fazem parte do texto): Reunião de Galípolo em 12/8 e encontros listados nas agendas oficiais; nota do BC e da Reag; participação da Reag em reunião com Padilha em 14/11/2024 e justificativa do ministro; detalhes da Operação Carbono Oculto e dos fundos citados.