Milei reacende disputa pelas Malvinas na abertura da cúpula do Mercosul

Reprodução das redes sociais
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Na manhã de 3 de julho de 2025, o presidente argentino Javier Milei abriu a 66ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul em Buenos Aires reafirmando, de forma enfática, o reclamo histórico da Argentina sobre a soberania das Ilhas Malvinas. Em seu discurso de boas-vindas, Milei dedicou parte de sua fala à reivindicação do arquipélago, sublinhando que a causa malvinense segue como “um objetivo permanente e irrenunciável do povo argentino”.

A Argentina exerce a presidência pro tempore do Mercosul desde 6 de dezembro de 2024, cargo que será oficialmente transferido ao Brasil na conclusão desta cúpula. Durante seu mandato rotativo, Milei tem priorizado pautas econômicas e comerciais, mas optou por resgatar o tema Malvinas em um momento de tensão diplomática, indicando que a questão permanece viva na agenda externa de seu governo.

Num momento conciliador de seu discurso, Milei agradeceu o apoio dos demais países do bloco à demanda da Argentina pela soberania das ilhas Malvinas, uma luta dos argentinos que todos os governos brasileiros, de todas as cores políticas, sempre apoiaram. Mas a maior parte do discurso do presidente argentino foi dedicada a deixar claro que seu país quer um Mercosul aberto ao mundo, com total liberdade econômica, o que implicaria modificar muitas de suas regras originais. Nos seis meses de sua presidência pro tempore, a Argentina conseguiu vitórias nesse sentido, ampliando exceções da Tarifa Externa Comum (TEC, que taxa produtos de fora do bloco), e encerrando as negociações com a EFTA. Mas Milei quer mais, e disse esperar que o Brasil, que nesta quinta assumiu a presidência do bloco, “dê continuidade ao que nós começamos”.
As Ilhas Malvinas estão sob administração britânica desde 1833, quando foram ocupadas pela força pelo Reino Unido, e desde então a Argentina sustenta sua reivindicação de soberania com base em argumentos históricos e legais. A Constituição argentina ratifica essa “legítima e imprescritível soberania” sobre as ilhas e as áreas marítimas contíguas, definindo a recuperação do território como questão de Estado.

O governo britânico, por sua vez, rejeita a reivindicação argentina, ressaltando o princípio de autodeterminação dos habitantes do arquipélago, que se consideram cidadãos do Reino Unido. Em pronunciamento prévio ao Mercosul, autoridades britânicas afirmaram que o status das Malvinas “está resolvido há décadas” e que não haverá negociações sem o consentimento dos residentes.

Além do tema Malvinas, a sessão de abertura contou com a confirmação da conclusão das negociações entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e com avanços na proposta de tratado entre o Mercosul e a União Europeia. Essas pautas comerciais, segundo Milei, são essenciais para fortalecer a economia regional, mas podem sofrer impactos diante da releitura política da questão malvinense dentro do bloco.


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