O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia ao cargo, após a quebra do Ueno Bank desencadear uma crise financeira e política sem precedentes recentes no país. Pressionado por manifestações populares e por um processo de impeachment, o mandatário perdeu sustentação até mesmo dentro do Partido Colorado, legenda que o levou ao poder em 2023.
O colapso da instituição financeira atingiu cerca de 3 milhões de clientes, que enfrentam dificuldades para movimentar suas contas e recuperar depósitos. A intervenção do Banco Central revelou graves problemas de solvência e suspeitas de operações irregulares. O banco também concentrava aproximadamente US$ 800 milhões em recursos públicos, incluindo depósitos previdenciários.
A crise ganhou dimensão política devido às antigas relações de Peña com o grupo controlador da instituição. O presidente havia sido investidor de uma empresa ligada ao banco, enquanto integrantes de sua administração passaram a enfrentar questionamentos sobre a fiscalização do sistema financeiro. As suspeitas provocaram protestos nas ruas de Assunção e ampliaram a pressão por responsabilização das autoridades.
Em pronunciamento, Peña afirmou que decidiu deixar a Presidência para preservar a estabilidade do Paraguai e suas instituições democráticas. A renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso. Caso seja formalizada, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país, com mandato previsto até agosto de 2028. A transição, entretanto, ocorre sob forte tensão, já que Alliana também enfrenta um pedido de impeachment.




