O encerramento da disputa eleitoral no Distrito Federal pode representar uma virada nas negociações para recuperar a saúde financeira do Banco de Brasília (BRB). O vice-governador eleito Gustavo Rocha (Republicanos) afirmou, nesta quarta-feira (28), que o ambiente político mudou e poderá favorecer um entendimento com o governo federal. A governadora reeleita Celina Leão (PP) já solicitou uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para buscar uma solução definitiva para a instituição.
A avaliação de Rocha é que a polarização eleitoral dificultou as tratativas sobre o futuro do banco, transformando uma questão financeira em instrumento de disputa política. Segundo ele, Celina colocou a recuperação do BRB entre as prioridades de sua administração e recorreu à Justiça para viabilizar alternativas. O principal impasse envolve uma operação de crédito de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), cuja concretização esbarra na ausência de garantias financeiras aceitas pelas partes.
Embora um acordo tenha sido homologado pelo Supremo Tribunal Federal em maio, a operação não foi concluída. A União resiste à concessão de aval ao empréstimo, enquanto o GDF defende a necessidade de preservar uma instituição estratégica para a economia brasiliense. O caso permanece sob a relatoria do ministro Luiz Fux. Com a reeleição de Celina e Lula, a expectativa da administração distrital é substituir os embates eleitorais por uma negociação institucional capaz de superar os obstáculos jurídicos e financeiros.
Gustavo Rocha também comentou as operações do BRB com o Banco Master, responsáveis por desencadear a crise. Segundo o vice-governador eleito, a antiga direção apresentava ao GDF projeções positivas e defendia que os negócios transformariam o banco regional em uma instituição de alcance nacional. Agora, o desafio de Celina será conciliar a recuperação financeira, a apuração das responsabilidades e a preservação do patrimônio público. O fim da eleição não resolve o problema, mas abre uma oportunidade para que Brasília e o Palácio do Planalto encontrem uma saída que proteja o banco, seus trabalhadores e seus clientes.




