Advogado de Trump compara Brasil à Venezuela e alerta para momento decisivo da democracia

Martin-De-Luca

O advogado norte-americano Martin De Luca, que representa a Trump Media, empresa ligada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar repercussão política ao comparar o cenário brasileiro ao processo de deterioração democrática vivido pela Venezuela. Em publicação nesta terça-feira (27), na rede social X, ele afirmou que o Brasil enfrenta seu momento político mais decisivo desde a redemocratização, em 1985.

“Desde domingo, o Brasil está vivendo o que dezembro de 2015 foi para a Venezuela”, escreveu De Luca, em referência ao segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no último domingo (25). O advogado encerrou a manifestação com uma pergunta sobre o futuro institucional do país: “Para onde o Brasil vai seguir?”

A comparação remete às eleições parlamentares venezuelanas de dezembro de 2015, quando a oposição conquistou ampla maioria na Assembleia Nacional. Nos anos seguintes, o governo de Nicolás Maduro utilizou decisões judiciais e outros mecanismos institucionais para restringir os poderes do Parlamento, aprofundando a crise política e democrática no país.

A declaração ocorre em meio à controvérsia sobre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos últimos dias, De Luca questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a prorrogação da votação em determinadas seções eleitorais. O advogado defendeu uma investigação independente e levantou dúvidas sobre a legitimidade do resultado. O Tribunal Superior Eleitoral, entretanto, proclamou oficialmente a vitória de Lula, com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. As suspeitas levantadas pelo advogado não constituem, por si só, comprovação de fraude.

A manifestação amplia a pressão retórica de integrantes do círculo político e jurídico próximo a Trump sobre as instituições brasileiras. Embora De Luca represente empresas vinculadas ao presidente norte-americano, suas declarações não equivalem a um posicionamento oficial da Casa Branca. Ao recorrer ao exemplo venezuelano, o advogado coloca no centro do debate os limites do poder judicial, a atuação das instituições e os riscos de uma escalada da polarização política após as eleições presidenciais.

 

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