O primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi marcado por forte desvalorização dos ativos brasileiros. Nesta segunda-feira (26), a pressão vendedora derrubou o Ibovespa, impulsionou o dólar e levou à suspensão temporária das negociações na Bolsa.
A B3 confirmou uma interrupção de 30 minutos pelo mecanismo conhecido como circuit breaker, acionado em situações de queda acentuada. Foi a primeira paralisação desse tipo desde março de 2020, durante a turbulência provocada pela pandemia.
A retomada das operações não trouxe alívio imediato. Por volta das 10h40, o Ibovespa recuava mais de 16%, na faixa dos 171 mil pontos. Diversas ações ainda passavam por leilões, procedimento utilizado para organizar a formação dos preços diante de movimentos bruscos.
No câmbio, o dólar chegou a registrar alta de 12,52%, cotado a aproximadamente R$ 5,60, às 9h30. Perto das 11h, a moeda americana permanecia em valorização superior a 10%, negociada a R$ 5,5092.
A tensão também alcançou os juros futuros, cujas taxas avançaram enquanto investidores reviam suas expectativas para a economia brasileira.
O resultado eleitoral contrariou posições montadas na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Parte dos investidores associava uma mudança de governo à adoção de medidas mais firmes de contenção de despesas e ajuste das contas públicas.
Com a continuidade de Lula, a atenção se concentra nos compromissos fiscais do próximo mandato e na escolha do ministro da Fazenda. A capacidade de apresentar medidas convincentes para estabilizar a dívida pública aparece entre os principais testes econômicos do presidente reeleito.
As cotações são parciais e correspondem aos horários informados nesta segunda-feira.




