Bannon pede a Trump rompimento diplomático e comercial com o Brasil após vitória de Lula

STEVE BANNON:
STEVE BANNON:

 

Ex-estrategista da Casa Branca cobra reação imediata de Donald Trump e Marco Rubio, classifica governo petista como ilegítimo e defende suspensão de todas as relações com o país.

 

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma reação contundente do estrategista político norte-americano Steve Bannon, um dos principais nomes do movimento conservador ligado ao presidente Donald Trump. Nesta segunda-feira (26), Bannon defendeu o rompimento imediato das relações diplomáticas e comerciais entre Estados Unidos e Brasil.

 

A declaração foi divulgada pelo WarRoom, programa político comandado por Bannon, que cobrou uma atitude direta do presidente Donald Trump e do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.

 

“O secretário de Estado e o presidente precisam agir agora, cortar as relações diplomáticas e fechar tudo com o Brasil”, afirmou Bannon, conforme tradução da publicação.

 

O ex-assessor da Casa Branca foi ainda mais incisivo ao defender o isolamento econômico brasileiro. Para ele, Washington deveria interromper completamente as relações comerciais com o país.

 

“Nenhum comércio, nada. Este é um governo marxista globalista ilegítimo”, declarou.

 

A ofensiva verbal ocorre menos de 24 horas depois da confirmação da vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras, realizado no domingo (25).

 

Bannon também relacionou suas críticas ao processo eleitoral brasileiro com o cenário político dos Estados Unidos. Segundo ele, os norte-americanos correm o risco de enfrentar problemas semelhantes em suas próprias eleições.

 

O estrategista mencionou um suposto roubo eleitoral e advertiu que, sem uma reação, a situação poderia se repetir nos Estados Unidos na terça-feira seguinte, em referência aparente às eleições legislativas norte-americanas de 3 de novembro.

 

As declarações, entretanto, não vieram acompanhadas de provas de fraude no resultado brasileiro.

 

Pressão sobre a Casa Branca

 

As manifestações de Bannon ampliam a pressão de setores conservadores norte-americanos sobre o governo Trump, que, até o início da tarde desta segunda-feira, ainda não havia anunciado oficialmente o reconhecimento da reeleição de Lula.

 

O posicionamento de Washington ganhou relevância depois que Flávio Bolsonaro anunciou a intenção de questionar judicialmente o resultado das eleições brasileiras, alegando mudanças nas regras durante o processo de votação.

 

A reação de Bannon também ocorre em meio ao desgaste das relações diplomáticas entre Brasília e Washington, marcado por divergências políticas, sanções e disputas comerciais ao longo dos últimos meses.

 

Apesar da proximidade política de Bannon com o movimento liderado por Trump, suas declarações não representam uma decisão oficial da Casa Branca.

 

Até o momento, não há confirmação de que o presidente norte-americano ou o secretário Marco Rubio tenham determinado o rompimento diplomático ou a suspensão total do comércio com o Brasil.

 

O episódio, contudo, acrescenta um novo componente de tensão ao cenário internacional que Lula encontrará após a reeleição, especialmente diante das cobranças públicas de setores influentes do conservadorismo americano por uma resposta mais dura de Washington.

 

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