Advogado ligado a Trump questiona vitória de Lula e diz ser “praticamente impossível” aceitar resultado

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O advogado Martin De Luca, representante da Trump Media & Technology Group, empresa ligada ao presidente americano Donald Trump, fez duras críticas às eleições brasileiras e à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) durante entrevista à CNN Brasil, na noite deste domingo (25). Ao comentar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), De Luca colocou em dúvida a legitimidade do processo e levantou a possibilidade de resistência internacional ao reconhecimento do resultado.

Participando da transmissão diretamente de Miami, nos Estados Unidos, o advogado classificou os acontecimentos do segundo turno como extraordinários e afirmou que a decisão do ministro Cristiano Zanin de prorrogar a votação por duas horas poderá provocar repercussões diplomáticas.

“Essas eleições, obviamente, foram muito estranhas. Todo mundo internacionalmente está debatendo o que tem acontecido. Não foi algo sutil, aliás, foi algo óbvio demais”, declarou.

De Luca intensificou as críticas ao sugerir que a condução do processo eleitoral brasileiro teria ultrapassado os limites de uma controvérsia jurídica convencional.

“Quando uma situação é tão descarada, fica muito difícil para o governo dos Estados Unidos ignorar”, afirmou.

Vitória de Lula pode enfrentar questionamentos internacionais, avalia advogado

Um dos momentos mais contundentes da entrevista ocorreu quando De Luca foi questionado sobre a possibilidade de o governo americano não reconhecer o resultado das eleições brasileiras.

O advogado evitou antecipar uma decisão oficial de Washington, mas considerou que os acontecimentos registrados durante a votação exigiriam uma avaliação das autoridades americanas.

“Obviamente, vai caber ao Departamento de Estado fazer o posicionamento correspondente”, explicou.

Na sequência, classificou a situação brasileira como excepcional, afirmando que os acontecimentos seriam inéditos não apenas no país, mas também em outras democracias.

Para De Luca, seria difícil que governos estrangeiros aceitassem a vitória de Lula sem questionar as circunstâncias da decisão judicial que alterou o horário de votação.

“Seja o governo dos Estados Unidos, governo da Argentina e outros governos da região, aceitar isso ignorando o que aconteceu como um resultado válido, eu acho que vai ser praticamente impossível”, declarou.

A manifestação representa uma avaliação pessoal do advogado, que não ocupa cargo no governo americano nem anunciou qualquer decisão oficial de não reconhecimento das eleições.

Zanin vira alvo central das críticas

O principal alvo das declarações foi o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela decisão que ampliou das 17h para as 19h o horário previsto para o encerramento da votação.

De Luca questionou tanto o fundamento jurídico da medida quanto o histórico profissional do magistrado, que atuou como advogado pessoal de Lula, inclusive durante os processos relacionados à Operação Lava Jato.

O advogado americano também mencionou a participação de Zanin na defesa dos interesses eleitorais do petista antes de sua nomeação para o STF, em 2023.

Ao descrever o episódio, De Luca falou em uma “janela de duas horas misteriosa” e acusou o ministro de assumir um papel que considerou “juridicamente totalmente injustificado”.

Na avaliação do entrevistado, a decisão provocou dúvidas sobre a condução do processo eleitoral justamente no momento mais sensível da disputa presidencial.

“Isso pode ter sido decisivo para mudar o resultado eleitoral”

A declaração mais grave surgiu quando De Luca relacionou diretamente a ampliação do horário de votação à possibilidade de alteração do resultado da eleição.

“Isso pode ter sido decisivo para mudar o resultado eleitoral”, afirmou.

A frase coloca sob suspeita o impacto da decisão de Zanin sobre a vitória de Lula, embora o advogado não tenha apresentado, durante a entrevista, dados de votação ou provas de que a medida efetivamente modificou o vencedor.

De Luca também mencionou informações divulgadas por jornalistas brasileiros, incluindo Malu Gaspar, sobre uma suposta resistência de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à ampliação do horário.

Segundo sua interpretação, integrantes da Corte eleitoral teriam se posicionado contra uma medida semelhante àquela posteriormente autorizada por Zanin.

A alegação, porém, foi apresentada sem identificação dos magistrados envolvidos ou demonstração de uma deliberação formal do colegiado.

Decisão provocou dificuldades reconhecidas pelo próprio TSE

A controvérsia começou após a campanha de Lula recorrer ao STF alegando problemas no transporte público que estariam dificultando o deslocamento de eleitores até os locais de votação.

Zanin determinou a ampliação do horário para as 19h, em decisão comunicada quando parte das seções eleitorais já havia encerrado os trabalhos.

Posteriormente, o alcance da medida foi esclarecido: somente as seções que permaneciam abertas às 17h poderiam continuar recebendo eleitores. As urnas já encerradas não seriam reabertas.

A situação levou o TSE a suspender temporariamente a totalização dos votos, que foi retomada após as 19h.

O próprio presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, reconheceu que a decisão produziu dificuldades operacionais e observou que uma prorrogação dessa natureza exigiria planejamento e estruturação.

O reconhecimento das dificuldades, entretanto, não constitui comprovação de irregularidade na contagem dos votos ou de alteração do resultado eleitoral.

Resultado oficial e pressão política

O TSE anunciou a reeleição de Lula com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 59.826.041 votos, correspondentes a 48,21%.

A diferença entre os candidatos foi de 4.430.191 votos.

Apesar da contestação apresentada por De Luca, não foi demonstrado na entrevista que a prorrogação tenha provocado uma alteração capaz de inverter esse resultado.

A manifestação do advogado, contudo, introduziu uma dimensão internacional na controvérsia política e jurídica que marcou o encerramento do segundo turno.

Ao afirmar que os Estados Unidos acompanharam atentamente a eleição e que seria difícil ignorar os acontecimentos, De Luca indicou a possibilidade de novos questionamentos diplomáticos, condicionados às decisões das autoridades estrangeiras.

As declarações não equivalem a uma posição oficial do governo de Donald Trump, mas sinalizam a disposição do advogado de levar o debate sobre a decisão do STF para além das fronteiras brasileiras.

A questão permanece no campo político e jurídico: enquanto a Justiça Eleitoral sustenta o resultado proclamado, críticos da decisão de Zanin defendem um exame de seus fundamentos e de suas consequências para o processo de votação.

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