Coordenador de Flávio chama decisão de Zanin de “vergonhosa” e acusa STF de tumultuar eleição

Agência Senado
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O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, reagiu duramente à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a prorrogação da votação do segundo turno das eleições presidenciais até as 19h deste domingo (25). Para Marinho, a medida foi intempestiva e provocou insegurança no processo eleitoral.

A manifestação foi publicada nas redes sociais depois que Zanin autorizou a ampliação do horário de votação em todo o território nacional, quando o encerramento das urnas já estava previsto para as 17h.

“Decisão vergonhosa e intempestiva”, escreveu o senador, ao questionar a atuação do magistrado e recordar sua ligação profissional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marinho destacou que Zanin foi advogado de Lula antes de ingressar no Supremo. O ministro atuou na defesa do petista durante os processos da Operação Lava Jato, inclusive no período em que Lula esteve preso em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019.

Em 2023, após a vitória eleitoral de Lula, Zanin foi indicado pelo próprio presidente para ocupar uma cadeira no STF, assumindo o cargo em agosto daquele ano.

Na publicação, o coordenador de Flávio Bolsonaro questionou especialmente o momento da decisão judicial. Segundo Marinho, a determinação ocorreu às 17h01, quando as seções eleitorais já deveriam estar encerrando suas atividades.

O parlamentar classificou a medida como uma “ação inexequível para tumultuar o processo” eleitoral, argumentando que a mudança de última hora poderia comprometer a organização da votação.

A manifestação terminou com uma acusação política dirigida ao Partido dos Trabalhadores.

“Eleição para o PT é aquela que eles ganham, quando eles perdem é ditadura. Lamentável”, declarou Marinho.

A afirmação de que o PT já teria perdido a disputa representa uma avaliação política do senador, e não um resultado oficialmente confirmado pela Justiça Eleitoral.

Decisão atende pedido da campanha de Lula

A determinação de Cristiano Zanin ocorreu após a coligação de Lula apresentar uma reclamação ao STF denunciando dificuldades no deslocamento de eleitores em razão da oferta insuficiente de transporte coletivo.

A ação mencionou problemas nos municípios baianos de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas.

O ministro registrou que os fatos chegaram ao conhecimento do Supremo às 16h32 e considerou necessária uma providência urgente para assegurar o exercício do voto.

A decisão, proferida na Reclamação 101.673, inicialmente estabeleceu a ampliação do horário de votação para todas as seções eleitorais brasileiras, independentemente da localização das ocorrências denunciadas.

A medida provocou dificuldades operacionais porque parte das seções já havia encerrado a votação e iniciado os procedimentos de emissão dos boletins de urna.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou a interromper temporariamente a totalização dos votos para avaliar os efeitos da determinação.

Posteriormente, Zanin esclareceu que a prorrogação deveria ser cumprida nas seções cujas urnas permaneciam abertas. Os votos registrados nas urnas já encerradas seriam computados normalmente, sem necessidade de reabertura.

Reação expõe tensão na reta final da disputa

A declaração de Rogério Marinho acrescenta um novo capítulo à tensão política entre as campanhas de Flávio Bolsonaro e Lula neste segundo turno.

Ao destacar o passado de Zanin como advogado do presidente, o coordenador da campanha bolsonarista colocou em discussão a percepção de imparcialidade do Judiciário em uma decisão diretamente relacionada ao processo eleitoral.

O vínculo profissional anterior, entretanto, não constitui, isoladamente, comprovação de favorecimento político ou irregularidade na atuação do ministro.

O episódio expõe o impacto institucional de uma determinação judicial anunciada no momento em que milhões de brasileiros concluíam a votação e a Justiça Eleitoral iniciava os procedimentos de apuração.

Para a campanha de Lula, o problema apresentado ao Supremo envolvia o direito de eleitores chegarem às urnas. Para Rogério Marinho, a decisão de alcance nacional, tomada no encerramento da votação, representou uma interferência inoportuna na organização do pleito.

A controvérsia passou a integrar o ambiente político de uma eleição marcada pela polarização, enquanto cabia à Justiça Eleitoral garantir a regularidade da votação e a apuração dos votos.

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