Martin De Luca questiona a prorrogação do horário de votação, critica a atuação do ex-advogado do presidente e levanta dúvidas sobre a credibilidade do processo eleitoral brasileiro.
O advogado norte-americano Martin De Luca, que representa empresas ligadas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou neste domingo (25) uma dura manifestação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a decisão que prorrogou por duas horas o horário de votação no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras.
Na publicação feita na rede social X, De Luca questionou a rapidez com que o Supremo acolheu o pedido da coligação de Lula e criticou o fato de a decisão ter sido tomada por Zanin, que atuou como advogado de defesa do petista antes de assumir uma cadeira na mais alta Corte do país.
O advogado norte-americano afirmou que a situação precisa ser compreendida pela comunidade internacional e classificou a sequência dos acontecimentos como uma possível interferência no processo eleitoral.
De Luca representa a Trump Media & Technology Group, empresa ligada a Donald Trump, e a plataforma Rumble em disputas judiciais nos Estados Unidos. Sua atuação profissional não significa, necessariamente, que represente Trump pessoalmente.
### Críticas à decisão de Zanin
A manifestação ocorreu depois que a campanha de Lula solicitou a ampliação do horário de votação das 17h para as 19h, alegando dificuldades enfrentadas por eleitores em razão da insuficiência de transporte coletivo em diferentes cidades brasileiras.
De Luca questionou por que o pedido foi levado ao Supremo, embora o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) seja o órgão responsável pela organização e administração das eleições.
O advogado também destacou a velocidade da decisão judicial, tomada em caráter de urgência no momento em que o encerramento da votação já estava próximo.
Outro ponto destacado foi o histórico profissional de Cristiano Zanin. Antes de ser indicado por Lula ao STF, em 2023, o ministro atuou na defesa do presidente durante os processos da Operação Lava Jato, inclusive no período em que o petista esteve preso em Curitiba.
Na avaliação de De Luca, essa ligação anterior merece atenção diante da relevância política e eleitoral da decisão.
### Advogado fala em manipulação e questiona reconhecimento internacional
Em um dos trechos mais contundentes da publicação, De Luca utiliza a expressão “manipulação descarada das eleições” e questiona se uma eventual vitória de Lula, nas circunstâncias descritas por ele, seria reconhecida internacionalmente como resultado de uma disputa livre e justa.
O advogado também compara o cenário político brasileiro ao da Venezuela e menciona Nicolás Maduro, em uma crítica direta ao presidente brasileiro.
As declarações representam a avaliação política de De Luca. Até o momento da publicação, não foram apresentadas provas de fraude eleitoral decorrente da prorrogação do horário de votação.
### STF esclarece decisão e mantém urnas fechadas
A controvérsia ganhou um novo capítulo após Cristiano Zanin esclarecer que a extensão do horário até as 19h seria aplicada somente às seções eleitorais que ainda não haviam encerrado a votação.
Nas seções fechadas às 17h, não haveria reabertura das urnas. Os votos já registrados seriam computados normalmente.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) confirmou oficialmente a inviabilidade técnica de reabrir urnas cujo boletim de votação já tivesse sido emitido.
Também é importante observar que a campanha de Flávio Bolsonaro apresentou pedido de ampliação do horário em municípios afetados por problemas climáticos. A solicitação tinha abrangência diferente da apresentada pela campanha de Lula.
Outro questionamento feito por De Luca envolve a responsabilidade pelo transporte público. No Brasil, a administração do transporte coletivo urbano é predominantemente municipal, enquanto serviços intermunicipais geralmente são de responsabilidade estadual, não diretamente do governo federal.
### Repercussão chega ao entorno de Donald Trump
A manifestação de Martin De Luca acrescenta uma dimensão internacional à controvérsia sobre o encerramento da votação brasileira.
O advogado é sócio do escritório norte-americano Boies Schiller Flexner e participou da representação judicial de empresas ligadas a Trump em processos envolvendo decisões de ministros do Supremo brasileiro.
Sua publicação amplia a pressão política sobre o episódio, embora não represente, por si só, um posicionamento oficial do presidente dos Estados Unidos ou do governo norte-americano.
Em uma eleição presidencial marcada pela polarização, a decisão de estender a votação às vésperas do encerramento previsto provocou dúvidas operacionais e reações políticas.
Para De Luca, o episódio ultrapassa as fronteiras brasileiras e exige atenção internacional. Para a Justiça brasileira, a medida foi fundamentada na necessidade de preservar o direito de voto diante dos problemas relatados no transporte de eleitores.
A controvérsia agora envolve não apenas a decisão judicial, mas também sua execução, a transparência dos procedimentos eleitorais e a confiança pública no resultado das urnas.




