Augusto Nardes denuncia deterioração das contas públicas no governo Lula, critica R$ 326 bilhões em gastos fora do Orçamento e compara práticas fiscais às pedaladas do governo Dilma Rousseff.
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, fez um alerta sobre o futuro da Previdência Social brasileira. Em vídeo divulgado na quarta-feira (21), o magistrado afirmou que o desequilíbrio das contas públicas poderá comprometer a capacidade do governo federal de pagar aposentadorias e pensões nos próximos anos.
A declaração ocorre em um momento delicado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a apenas três dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). Segundo Nardes, o crescimento da dívida pública, o déficit previdenciário e despesas realizadas fora do Orçamento colocam em risco a sustentabilidade financeira do país.
“Como está, não haverá aposentadoria porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e quem dirá futuramente”, advertiu o ministro.
Nardes afirmou que o déficit da Previdência ultrapassa R$ 404 bilhões. O número apresentado pelo ministro reforça sua avaliação de que o governo precisa rever a trajetória das despesas obrigatórias e recuperar o equilíbrio fiscal para preservar os compromissos com os beneficiários.
Dados do próprio TCU revelam a dimensão do problema. Em 2025, o déficit previdenciário consolidado, incluindo diferentes regimes, alcançou R$ 440,6 bilhões. Apenas o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), responsável pelos trabalhadores da iniciativa privada, apresentou resultado negativo de R$ 317 bilhões.
O cenário continuou pressionado em 2026. Entre janeiro e agosto, o déficit do RGPS chegou a R$ 277 bilhões. No mesmo período, as contas do Governo Central acumularam resultado negativo de R$ 94,9 bilhões, contra R$ 85,9 bilhões registrados nos oito primeiros meses de 2025.
Outra preocupação envolve o endividamento brasileiro. Nardes afirmou que a dívida pública passou de aproximadamente 72% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB) durante o atual governo. Os dados mais recentes disponíveis do Banco Central mostram que a dívida bruta atingiu 82,9% do PIB em agosto, equivalente a aproximadamente R$ 11,1 trilhões.
O ministro também acusa a administração federal de recorrer à chamada desorçamentação, expressão utilizada para descrever despesas executadas por mecanismos que, segundo sua avaliação, reduzem a transparência do Orçamento tradicional. Nardes calcula que essas operações já somariam R$ 326 bilhões.
A gravidade das declarações aumentou quando o integrante do TCU estabeleceu uma comparação com a administração da ex-presidente Dilma Rousseff. Nardes foi o relator, em 2015, do parecer que recomendou a rejeição das contas presidenciais de 2014, em razão de irregularidades fiscais identificadas pelo tribunal.
Agora, o ministro sustenta que práticas semelhantes estariam reaparecendo na gestão Lula. A acusação, entretanto, representa sua avaliação e não equivale, por si só, a uma decisão colegiada do TCU que tenha reconhecido a repetição das pedaladas fiscais.
O desequilíbrio previdenciário representa um desafio estrutural para o Brasil. O envelhecimento da população, a ampliação das despesas com benefícios e a necessidade de financiamento do sistema exigem planejamento de longo prazo. O problema não se limita a um único exercício orçamentário.
Apesar da contundência das declarações, não existe anúncio oficial de suspensão do pagamento das aposentadorias ou confirmação de que os recursos do INSS estejam prestes a acabar. O déficit previdenciário significa que as contribuições arrecadadas não cobrem integralmente as despesas, sendo necessária a utilização de outras receitas públicas.
O alerta de Augusto Nardes, portanto, não estabelece uma data para eventual interrupção dos benefícios, mas coloca sob questionamento a capacidade do governo de sustentar o crescimento das despesas sem comprometer outras áreas da administração pública.
Às vésperas da eleição presidencial, a manifestação amplia a cobrança por responsabilidade fiscal e coloca o futuro das aposentadorias no centro do debate econômico.
Para milhões de brasileiros que contribuíram durante décadas, a discussão ultrapassa a disputa eleitoral. Está em jogo a confiança de que o Estado continuará cumprindo uma de suas obrigações mais importantes: garantir a renda daqueles que trabalharam e conquistaram o direito à aposentadoria.




