URGENTE: Kassio investiga ação coordenada do “Exército do Lula”

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URGENTE: Kassio dá 24 horas para Meta, Google e X explicarem suspeita de ação coordenada do “Exército do Lula”

A três dias do segundo turno presidencial, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta quinta-feira (22) que Meta, Google e X apresentem, no prazo de 24 horas, informações técnicas sobre suspeitas de manipulação de buscas, hashtags e engajamento nas redes sociais envolvendo o canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones.

A decisão atende a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Palácio do Planalto. Os advogados apontam a possível existência de uma estrutura organizada para ampliar artificialmente a circulação de conteúdos negativos contra o candidato, influenciando mecanismos de busca e os assuntos mais comentados da internet.

A determinação amplia a fiscalização sobre o comportamento das plataformas digitais na reta final da campanha. O objetivo é identificar se a mobilização de apoiadores permaneceu dentro das regras eleitorais ou se houve utilização de mecanismos irregulares para alterar a repercussão de conteúdos políticos.

A ordem judicial exige que a Meta apresente relatório técnico detalhado, indicando os critérios utilizados para detectar comportamentos coordenados, os resultados encontrados e as limitações dos mecanismos de fiscalização. A empresa também deverá esclarecer se houve impulsionamento pago ou ampliação artificial do alcance de publicações.

Google e X terão de informar se identificaram movimentações suspeitas entre os dias 18 e 20 de outubro, principalmente em pesquisas em alta, sugestões automáticas de busca e hashtags que alcançaram posições de destaque.

Suspeita envolve buscas sobre Flávio Bolsonaro

A documentação apresentada pela defesa de Flávio Bolsonaro aponta que integrantes do canal teriam recebido orientações para pesquisar simultaneamente expressões ofensivas ao candidato.

Uma das mensagens investigadas recomendava buscas pela frase “Bolsonaro mandou matar Lula”. A campanha sustenta que a repetição organizada dessas pesquisas poderia induzir algoritmos a interpretar uma mobilização dirigida como manifestação espontânea de interesse público.

Os advogados também apresentaram registros de publicações atribuídas a Janones nas quais o parlamentar orientaria seguidores a divulgar conteúdos em horários determinados, aumentando a possibilidade de repercussão nas plataformas.

Na petição protocolada em 20 de outubro, a defesa afirma que o método poderia distorcer indicadores utilizados por mecanismos de busca e redes sociais para classificar conteúdos populares. A existência de uma manipulação ilícita, entretanto, ainda depende de comprovação técnica.

Meta terá de explicar análise anterior

Outro ponto da decisão envolve uma manifestação anterior da Meta. A empresa havia informado que não identificara sinais de comportamento coordenado no WhatsApp relacionados ao canal investigado.

Agora, Nunes Marques quer conhecer os procedimentos utilizados nessa avaliação e verificar se a conclusão considerou a circulação de conteúdos entre WhatsApp, Instagram, Facebook e Threads.

O ministro também determinou a preservação dos registros digitais relacionados aos episódios, medida destinada a evitar a perda de informações que possam ser relevantes para a apuração.

Investigação ganha força na reta final

O caso já vinha provocando divergências dentro do próprio Tribunal Superior Eleitoral.

Em 11 de outubro, Nunes Marques determinou a suspensão do canal. A medida foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Novas decisões estabeleceram condições para seu funcionamento.

Em análise realizada naquele período, a área técnica do TSE não identificou novas reproduções, entre 2 e 11 de outubro, dos conteúdos falsos apontados pela campanha de Flávio. O levantamento, porém, registrou indícios de mobilização coordenada de apoiadores.

O episódio também integra uma disputa judicial mais ampla. Em Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), a campanha de Flávio questiona a atuação de Janones e pede a apuração de possíveis abusos eleitorais. O recebimento da ação não representa reconhecimento das acusações.

Prazo de 24 horas aumenta pressão sobre plataformas

A nova determinação ocorre às vésperas da votação de domingo, 25 de outubro, quando Lula e Flávio Bolsonaro disputarão o segundo turno presidencial.

Com a cobrança de relatórios técnicos, a Justiça Eleitoral busca identificar se houve coordenação irregular para interferir na visibilidade de conteúdos políticos ou se as movimentações permaneceram no campo legítimo da mobilização eleitoral.

Até o momento, a determinação de Nunes Marques representa uma medida de obtenção de informações, não uma conclusão definitiva sobre a existência de fraude ou manipulação.

O próximo passo dependerá das respostas das três empresas e da avaliação dos elementos apresentados.

A três dias da eleição, o caso coloca sob escrutínio não apenas a atuação do chamado “Exército do Lula”, mas também a capacidade das plataformas digitais de distinguir engajamento espontâneo de possíveis operações organizadas para influenciar o ambiente informacional.

 

 

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