A empresária Roberta Luchsinger fez novas acusações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, durante entrevista neste sábado (17). Segundo ela, o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria ajudado a construtora ECB, pertencente ao grupo português Mota-Engil, a conquistar contratos com o governo federal. A lobista afirmou que os negócios da empresa somariam R$ 2 bilhões desde a chegada de Amauri Rodrigues Pinha à presidência da companhia.
Luchsinger apontou que Amauri seria vizinho e amigo de Lulinha e relatou encontros frequentes entre os dois, inclusive em sua residência, a portas fechadas. Também afirmou que o executivo teria frequentado o Palácio do Planalto, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Petrobras. A empresária cobrou transparência sobre os contratos e questionou a proximidade entre empresários, familiares do presidente e integrantes do governo.
O grupo Mota-Engil venceu, em setembro de 2025, o leilão para construção e operação do túnel Santos–Guarujá, empreendimento estimado em R$ 6,8 bilhões, com participação financeira dos governos federal e paulista. O resultado da licitação está oficialmente registrado, mas não comprova interferência de Lulinha na contratação. Também não há comprovação pública, até o momento, de que o montante de R$ 2 bilhões citado pela lobista tenha sido obtido mediante favorecimento.
As declarações aumentam a pressão política sobre Lula, às vésperas do segundo turno presidencial. Em resposta, a Secretaria de Comunicação da Presidência afirmou que o presidente desconhece os fatos relatados, jamais manteve interlocução com Luchsinger e considera suspeito o momento das acusações. A lobista, investigada pela Polícia Federal, anunciou ainda a intenção de colaborar com a Justiça por meio de delação premiada. O episódio abre novos questionamentos sobre a relação entre interesses privados e o poder público, embora as acusações ainda dependam de comprovação.




