A Porsche estabeleceu como meta de longo prazo atingir uma margem operacional sobre vendas de 15% para o grupo.
A diretriz faz parte do plano de reestruturação denominado “Sportwagenschmiede ’35”, anunciado durante o Capital Markets Day no centro de desenvolvimento da marca em Weissach.
Para o médio prazo, a fabricante alemã estipulou uma meta intermediária de rentabilidade operacional entre 10% e 15%.
A revisão de diretrizes ocorre após a margem de lucro da empresa ter despencado para 1,1% no último ano, patamar consideravelmente distante dos índices de dois dígitos projetados durante a sua abertura de capital há quatro anos.
Comandada pelo CEO Michael Leiters, a restruturação assume um cenário prolongado de volumes de vendas mais baixos e adota o pilar de “valor acima de volume”.
A estratégia foca no aumento da rentabilidade por unidade vendida por meio da expansão de modelos topo de linha, como o lendário 911 e SUVs de luxo.
Para proteger o fluxo de caixa, o plano prevê a redução do ponto de equilíbrio (*break-even*) para menos de 200 mil veículos comercializados ao ano, patamar bem abaixo dos 279.449 carros entregues no ano anterior.
No braço financeiro, as metas de margem para o fluxo de caixa líquido automotivo foram fixadas entre 9% e 12% no médio prazo, alcançando 12% no longo prazo.
O ajuste estrutural prevê fortes cortes de custos internos, incluindo a redução de 25% do quadro geral de funcionários no médio prazo, corte de 40% nas posições de gestão, enxugamento de até 20% nos custos de desenvolvimento e redução de até 30% nas despesas com pessoal de produção.
O movimento teve reflexo positivo no mercado acionário, onde os papéis da controladora Volkswagen registraram alta de cerca de 2% em Frankfurt.
A recuperação da marca esportiva é considerada essencial para o grupo VW, detentor de cerca de 75% das ações da marca, que havia reduzido o teto de sua projeção de margem operacional em 2026 para 1% devido a uma baixa contábil de € 6 bilhões atrelada à Porsche.




