ANP realiza os maiores leilões de petróleo da história com 326 blocos em disputa

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) realiza dois leilões históricos que colocam em concorrência pública 326 blocos para exploração e produção de petróleo e gás natural.

As certames reúnem 13 áreas na camada pré-sal sob o regime de partilha da produção e 313 blocos terrestres e marítimos no modelo de concessão, incluindo dois setores na Bacia do Ceará, situada na Margem Equatorial.

Trata-se da maior oferta simultânea de áreas exploratórias já promovida pelo órgão regulador.

O certame matutino é dedicado ao 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção, ofertando ativos estratégicos nas bacias de Campos e Santos, região responsável por 82,6% do volume nacional extraído.

Ao todo, 19 empresas multinacionais e nacionais qualificaram-se para o leilão, incluindo gigantes como Petrobras, Shell, Chevron, BP, Equinor, TotalEnergies e Sinopec.

Como a estatal brasileira optou por não exercer previamente seu direito de preferência como operadora mínima de 30% nos blocos, a disputa abre espaço direto para a expansão e liderança de consórcios privados e estrangeiros nas áreas ofertadas.

No período da tarde, o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão coloca em disputa blocos terrestres, pós-sal e bacias maduras com infraestrutura consolidada.

O destaque fica para os dois setores na Bacia do Ceará, vistos pela indústria como nova fronteira exploratória em virtude das recentes descobertas na Guiana, Suriname e na vizinha Bacia da Foz do Amazonas.

O modelo de concessão atraiu 46 empresas habilitadas, com potencial para atrair petroleiras independentes de médio porte que dinamizam economias regionais e reativam campos terrestres com produção inativa.

A realização dos leilões divide opiniões entre o setor produtivo e entidades socioambientais.

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) defende as rodadas como urgentes para garantir a reposição de reservas e evitar o declínio da produção nacional a partir da década de 2030, destacando a atratividade do mercado brasileiro frente a instabilidades geopolíticas globais.

Em contrapartida, o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo (Ineep) alerta para o risco de perda de controle estatal sobre ativos estratégicos, enquanto a ONG Instituto Arayara moveu ações judiciais apontando sobreposições dos blocos com unidades de conservação, territórios indígenas, quilombolas e áreas de pesca artesanal.

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