Nem a esquerda quer o PT de Leandro Grass

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A esquerda chega rachada ao 2º turno: Grass recebe apoio do PSTU, mas até aliados fazem questão de manter distância

A candidatura de Leandro Grass ao Palácio do Buriti conseguiu o voto do PSTU, mas está longe de receber um cheque em branco. O partido anunciou um “voto crítico” no petista e fez questão de esclarecer que a decisão não representa adesão política à chamada Frente Ampla. Mais do que isso: declarou que continuará fazendo oposição ao PT e que não pretende negociar cargos, secretarias ou favores. É apoio eleitoral com ressalvas explícitas — uma fotografia das dificuldades de Grass para unificar até mesmo o campo situado à sua esquerda.

A fragmentação não nasceu no segundo turno. No primeiro, o PSB de Ricardo Cappelli preferiu apresentar candidatura própria, apesar das negociações anteriores para formação de uma frente.

O registro eleitoral mostra que Cappelli disputou pelo PSB como partido isolado, enquanto Grass encabeçou outra candidatura. Antes da campanha, Cappelli chegou a convidar Grass para ser seu vice e depois cobrou que o PT desistisse da cabeça de chapa. Nada disso prosperou. Cada grupo resolveu medir suas forças nas urnas.

O resultado tornou a divisão ainda mais visível. Grass avançou ao segundo turno com 34,47% dos votos válidos, enquanto Cappelli terminou com 2,23%. Celina Leão alcançou 49,93%, ficando a apenas 168 votos da vitória no primeiro turno. Agora, o candidato petista precisa ampliar sua base, mas começa essa etapa recebendo de uma legenda socialista um apoio acompanhado quase de um aviso prévio: “votamos, mas não estamos juntos”.

Portanto, dizer literalmente que “nem a esquerda quer Grass” seria exagerar o fato — afinal, o PSTU declarou voto nele. O dado politicamente mais revelador é outro: Grass chega ao segundo turno sem conseguir transformar toda a esquerda do DF em um bloco homogêneo em torno de seu projeto. Primeiro, Cappelli marchou em candidatura própria; agora, o PSTU entrega voto com críticas, independência e promessa de oposição futura.

Para quem pretende apresentar uma frente ampla ao eleitor, a fotografia até aqui é menos de unidade e mais de uma aliança feita com várias notas de rodapé.

A doença é contagiosa e todos querem uma certa distância até mesmo entre eles.

 

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