O primeiro turno das eleições de 2026 revelou uma mudança relevante em uma das bases eleitorais mais tradicionais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nos municípios classificados como altamente dependentes do Bolsa Família, a participação do petista nos votos válidos caiu de 71,5% em 2022 para 68,7% em 2026. O grupo reúne cidades nas quais o número de beneficiários corresponde a pelo menos metade da população.
Na direção oposta, Flávio Bolsonaro (PL) chegou a 27,3% nessas localidades, ante os 23,5% obtidos por Jair Bolsonaro quatro anos antes. O avanço indica uma redução da distância entre os dois campos políticos justamente em municípios fortemente alcançados pelo principal programa federal de transferência de renda. Essas cidades responderam por cerca de 14,4% dos votos válidos do país no primeiro turno.
O movimento ocorreu mesmo com o Bolsa Família atendendo 19,29 milhões de famílias em setembro, com benefício médio de R$ 678,18. Poucas semanas antes da eleição, o governo também anunciou reajuste de 15,04% nos benefícios a partir de outubro, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. Os números eleitorais mostram associação entre dependência do programa e votação, mas, isoladamente, não permitem afirmar que o benefício tenha sido a causa da mudança de preferência dos eleitores.
A perda de terreno nesses municípios acompanha o resultado nacional. Com 99,99% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos, ou 47,03% dos válidos, enquanto Lula recebeu 53.876.617 votos, equivalentes a 45,16%. Os dois voltam às urnas em 25 de outubro, quando será decidido o próximo presidente da República.



