Pela primeira vez desde a década de 1920, os veículos movidos exclusivamente a gasolina representaram menos da metade dos automóveis novos comercializados no mundo durante o primeiro semestre de 2026.
Segundo levantamento da consultoria Mobility Global divulgado pelo jornal Nikkei, a participação dessa categoria recuou para 49% do total, acumulando uma retração anual de 10%, com 20,25 milhões de unidades entregues.
O número consolida uma rápida transformação da frota internacional, visto que esses mesmos modelos dominavam 73% das vendas globais em 2021.
A mudança no perfil do consumidor foi impulsionada sobretudo pelo encarecimento do petróleo e pelas incertezas no fornecimento de combustíveis fósseis decorrentes de crises geopolíticas no Oriente Médio.
Diante do impacto no custo operacional por quilômetro rodado, as vendas globais de modelos 100% elétricos subiram 12% no período, atingindo 6,87 milhões de emplacamentos e elevando a participação do segmento para 17%.
Os automóveis híbridos também mantiveram forte tração comercial como ponte tecnológica contra os altos preços nas bombas.
O ritmo dessa transição apresentou fortes variações regionais. Na Europa, os elétricos superaram os carros a gasolina pela primeira vez em mais de 30 países, impulsionados também por fortes expansões no Sudeste Asiático e na Coreia do Sul.
Em contraste, mercados volumosos como os Estados Unidos e a China registraram desaceleração pontual após o corte de incentivos fiscais e subsídios governamentais.
Analistas destacam que a redução estrutural no preço médio das baterias industriais, negociadas abaixo de US$ 100 por quilowatt-hora, tende a consolidar a eletrificação mesmo sem a dependência de incentivos estatais.




