Presidente dos EUA afirmou acompanhar a disputa “muito de perto”; escrutínio internacional expõe fragilidade e desconforto nos bastidores do governo federal.
Brasília — O Palácio do Planalto, que costuma celebrar um suposto retorno triunfal à liderança global, acaba de ganhar um observador incômodo, imprevisível e de peso descomunal. Diretamente da Casa Branca, nesta quinta-feira (1º/10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou a jornalistas que está acompanhando as eleições no Brasil “muito de perto”.
Ao classificar a corrida pelo comando do país como uma “eleição muito importante”, Trump adotou uma concisão cirúrgica. Sem citar nominalmente Luiz Inácio Lula da Silva ou qualquer adversário de oposição, o líder norte-americano não precisou de mais do que uma frase para provocar calafrios na articulação governista em Brasília.
Para a diplomacia do governo Lula — historicamente afeita a discursos inflamados contra o “imperialismo” para agradar às bases, mas sempre sequiosa por qualquer aceno de validação de Washington —, o aviso soa quase como um balde de água fria. A vigilância ostensiva da maior potência do planeta sobre o pleito nacional desmonta o esforço palaciano de blindar a disputa de olhares externos e escancara o isolamento de uma gestão federal que patina nas relações multilaterais.
Nos bastidores da Esplanada dos Ministérios, a fala foi recebida em tom de apreensão. A recusa de Trump em personalizar a disputa, mantendo a pressão suspensa sobre o cenário político brasileiro, é lida por analistas como um recado direto: qualquer manobra ou instabilidade institucional não passará despercebida pelo Salão Oval. Para quem já enfrenta dificuldades em engajar o eleitorado doméstico, ter os holofotes norte-americanos apontados diretamente para o processo eleitoral representa um desgaste geopolítico que o Planalto preferia evitar a todo custo.
Às vésperas da votação, a temperatura em Brasília sobe alguns graus. Se o governo federal pretendia conduzir o processo sem sobressaltos externos, a Casa Branca acaba de deixar claro que o Brasil segue sob estrita e incômoda vigília internacional.
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