Apesar de contar com grandes reservas minerais de lítio e um parque automotivo consolidado, o Brasil ainda enfrenta barreiras estruturais para desenvolver uma cadeia completa de baterias para veículos elétricos. Executivos e especialistas reunidos no Summit Futuro da Mobilidade destacaram que a disponibilidade de matéria-prima não é o problema, uma vez que o país tem capacidade de extração suficiente.
A principal limitação reside no processamento químico avançado e na fabricação local das células de energia, que representam a etapa de maior valor agregado da tecnologia.
Atualmente, o mercado nacional avança na integração e montagem de módulos e sistemas de armazenamento, com iniciativas industriais como a fábrica de baterias da WEG em Santa Catarina, mas as células continuam sendo integralmente importadas de fornecedores asiáticos.
A instalação de linhas produtivas de células exige investimentos de bilhões de reais e um volume de mercado de alta escala para competir com os preços internacionais. Sem contratos de longo prazo e uma demanda consolidada por parte das montadoras, as empresas evitam assumir o risco de instalar plantas de grande porte no país.
Entidades representativas do setor defendem que a nacionalização desses componentes deve acontecer de forma gradual, transitando da montagem final de pacotes importados até o domínio integral da tecnologia eletroquímica.
Para que essa evolução se torne economicamente viável, os especialistas apontam a necessidade de políticas públicas consistentes de incentivo à mobilidade sustentável, linhas de crédito atrativas e o desenvolvimento de uma rede de fornecedores químicos locais, garantindo a escala necessária para viabilizar as fábricas em solo brasileiro.




