Leandro Grass, o camaleão do cerrado com discurso pasteurizado do “Lulinha paz e amor”

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Há uma velha lição de Maquiavel que todo candidato astuto aprende cedo: o príncipe não precisa ser bom, precisa *parecer* bom para quem vota. Leandro Grass, candidato do PT ao governo do Distrito Federal, parece ter decorado a lição.

Nos corredores da Câmara Legislativa, entre 2019 e 2022, Grass foi autor de projetos que incentivavam a pesquisa científica com cannabis para fins medicinais, sancionados em lei no DF para permitir que o Distrito Federal tivesse incentivo à pesquisa e produção científica do uso medicinal da Cannabis. Pauta legítima e até louvável.

Mas o candidato de 2026 é outro. Na sabatina do Correio Braziliense, em agosto, o roteiro foi saúde, segurança, educação, gestão administrativa — nada de maconha, nada de aborto, nada do que costuma inflamar as redes da esquerda que o elegeu como principal nome do campo progressista no DF. A ironia é cristalina: o mesmo Grass que legislou sobre cannabis governa hoje o próprio verbo, conjugando-o apenas no silêncio.

É a triangulação clássica: suavizar a pauta identitária para não assustar um eleitorado historicamente mais à direita — o mesmo que Ibaneis Rocha cortejou ao se declarar publicamente “um governador de direita”, sem “muito alinhamento com a esquerda deste país”. Grass não briga com o espelho; ele o reposiciona.

A geometria variável do federalismo

No terreno do Fundo Constitucional do DF, porém, a história é mais interessante — e menos favorável ao roteiro de vítima que se poderia imaginar. Quando o governo Lula tentou, em 2024, mudar a fórmula de reajuste do FCDF, Ibaneis Rocha acusou publicamente “a turma do PT” de não gostar da cidade e nutrir hostilidade contra o Distrito Federal, chegando a dizer que o governo federal “tem raiva de Brasília”. Um ministro do próprio governo Lula, Rui Costa, azedou ainda mais o caldo ao chamar a capital de “ilha da fantasia”, frase que gerou pedido de demissão por parte de deputados distritais.

Grass, nesse momento, não ficou em silêncio — escolheu um lado. Rebateu Ibaneis publicamente, afirmando que o presidente Lula dava mais atenção ao DF do que Bolsonaro havia dado. Defendeu o padrinho antes de defender a cidade. Só recentemente, já em campanha e sob pressão do próprio eleitorado que quer garantias sobre segurança e saúde, passou a declarar publicamente que o fundo se justifica porque Brasília é capital e precisa proteger a sede do poder — uma guinada de posição que soa mais a necessidade eleitoral do que a princípio permanente.

BRB: quando o Planalto vira São Pedro

A crise do Banco de Brasília expôs a mesma tensão em versão bilionária. Com o rombo provocado pelas operações com o Banco Master, o ministro da Fazenda de Lula, Dario Durigan, foi taxativo: o problema “é do GDF”, e a União não socorreria a instituição. A governadora Celina Leão precisou recorrer ao Supremo Tribunal Federal para negociar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos, usando bens do GDF como garantia. Enquanto Brasília implorava por socorro federal, o silêncio do PT distrital sobre a lentidão de Brasília em ajudar a própria capital foi, no mínimo, estratégico.

O flerte com o inelegível

Mas é na disputa pelo espólio eleitoral de José Roberto Arruda que Grass revela sua faceta mais maquiavélica. Arruda acumula sete condenações colegiadas por atos dolosos de improbidade administrativa, com dano ao erário e enriquecimento ilícito, ligadas ao escândalo da Operação Caixa de Pandora — o episódio mais sórdido da política distrital nas últimas duas décadas. O TSE barrou sua candidatura em 24 de setembro, mantendo-o inelegível até 2030.

Bastou a poeira baixar para Grass declarar: “Eu tenho um diálogo com ele, temos conversado”, sinalizando disposição para incorporar propostas do ex-governador e atrair seus eleitores órfãos. É a política do fim justificando os meios: o discurso ético contra a “corrupção da direita” cede lugar ao pragmatismo de quem precisa de votos onde eles estiverem — ainda que estejam sob a sombra de Caixa de Pandora.

O denominador comum

Some-se a isso a trajetória partidária de Grass — Rede em 2019, PV em 2022, PT em 2026, terceira legenda em três eleições — e o quadro que se desenha não é o de um estadista de convicções fixas, mas o de um administrador de conveniências, hábil em reler o tabuleiro a cada ciclo. Não é necessariamente desonestidade; é ofício. Mas é também o oposto exato da imagem de pureza ideológica que sua militância projeta.

A quem eles tentam enganar? O lulinha paz em amor venceu e está no poder há mais de vinte anos e mantém o Brasil na mesma durante esse tempo!

POR: LUCAS SANTANA 

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