Irã rejeita rendição aos EUA na ONU e mantém porta aberta para negociação em meio à guerra

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira, 23 de setembro, na Assembleia Geral das Nações Unidas, que seu país não pretende se render aos Estados Unidos, embora continue defendendo uma saída diplomática para o conflito. Durante o pronunciamento em Nova York, Pezeshkian acusou Washington de agressões contra seu país e declarou que Teerã estaria exercendo seu direito de defesa. Representantes dos Estados Unidos deixaram o plenário no início do discurso.

 

A manifestação ocorreu um dia depois de Donald Trump usar a mesma tribuna para elevar a pressão sobre Teerã. O presidente norte-americano afirmou que poderia optar por um acordo ou pela destruição da República Islâmica caso as negociações fracassem. Pezeshkian reagiu dizendo que o fortalecimento militar iraniano tem finalidade defensiva e voltou a sustentar que o programa nuclear do país busca fins pacíficos — posição contestada há anos por Washington e seus aliados.

 

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas do planeta, também entrou no centro do discurso. Pezeshkian afirmou que o Irã não aceitará ser impedido de navegar pela passagem enquanto outros países continuam utilizando a região e criticou a presença permanente de forças militares consideradas hostis por Teerã. Antes da atual guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente passava pelo estreito.

 

Apesar do choque público de discursos, há movimentação diplomática nos bastidores da ONU. O chanceler iraniano Abbas Araghchi manteve contato com representantes norte-americanos em Nova York, enquanto Teerã apresentou condições relacionadas ao bloqueio naval, às sanções e à reabertura de Ormuz. O cenário expõe duas mensagens simultâneas: de um lado, Irã e Estados Unidos mantêm uma retórica de forte confronto; de outro, os canais de negociação permanecem abertos em busca de uma saída para uma guerra que já produz efeitos sobre segurança regional, navegação e mercado internacional de energia.

 

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