A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, subiu o tom institucional e anunciou nesta sexta-feira (18) que o Governo do Distrito Federal (GDF) acionará formalmente a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A representação junto ao órgão regulador do mercado de capitais mira as recentes declarações do petista, acusadas de configurar crime contra o sistema financeiro nacional ao desestabilizar deliberadamente uma instituição de capital aberto com fins eleitoreiros.
O embate escalou após Lula usar um comício partidário em Ceilândia para atacar a gestão do DF e disparar ofensas contra o Banco de Brasília (BRB), afirmando em tom inflamado que não liberaria recursos federais para socorrer a entidade. A postura do chefe do Planalto, que tratou temas regulatórios complexos como palanque antecipado de campanha, ignorou as regras mais básicas do mercado e a responsabilidade exigida pela legislação sobre ativos listados em bolsa.
Ao responder aos ataques, Celina desmontou a narrativa propagada pelo governo federal e enfatizou a gravidade jurídica dos pronunciamentos de Lula. “Ninguém pediu favor, nem dinheiro do governo federal, presidente. Nós pedimos o aval da União para uma operação de crédito estruturada. O senhor cometeu um crime contra o sistema financeiro e contra o banco ao fazer declarações eleitoreiras sobre uma instituição de capital aberto”, declarou a governadora, ressaltando que a CVM será formalmente provocada para apurar a manipulação e os impactos causados às ações e à higidez do BRB.
Para a equipe econômica de Brasília, a retórica agressiva do Planalto revela uma tentativa desesperada de transformar uma ferramenta de desenvolvimento regional em bode expiatório político. Enquanto o Palácio do Buriti dialoga com investidores, conduz auditorias e busca blindar correntistas e trabalhadores, a cúpula lulista prefere alimentar instabilidades institucionais para beneficiar seus aliados na disputa local.
Celina foi taxativa ao cobrar postura de Estado de quem ocupa a Presidência da República: “O presidente pode me atacar e apoiar o meu adversário, mas não pode ferir a governança de uma instituição que pertence a toda a população do DF. O BRB tem regras, tem acionistas e não é palanque”.
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