Professor Francelino questiona nível da prova do Sedes-DF

Foto: Reprodução
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O professor Rodrigo Francelino, que prepara há quase 20 anos candidatos a concursos públicos do Distrito Federal, publicou nesta semana uma análise crítica sobre a prova do concurso da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF), aplicada pelo Instituto Quadrix.

O concurso, com edital publicado em 13 de maio, oferece 4.788 oportunidades, entre vagas imediatas e cadastro de reserva, distribuídas em cargos de nível médio (TDAS) e nível superior (EDAS), este último com especialidades como Pedagogia e Educador Social, as comentadas pelo professor. Ao todo, o Instituto Quadrix homologou 210.011 inscrições no concurso. Na especialidade de Pedagogia, que tem 484 vagas, foram 21.015 inscritos; em Educador Social, com 128 vagas, 14.165. A prova objetiva e discursiva de ambas foi aplicada no domingo (6/9), e o gabarito preliminar saiu em 9/9.

Segundo Francelino, a banca optou por uma prova “extremamente rasa, sem profundidade, incapaz de extrair dos candidatos que estudaram há um bom tempo o seu conhecimento”. Para ele, essa característica nivelou candidatos com e sem preparo e deve resultar em uma nota de corte mais alta do que o esperado, o que prejudica quem estuda para o concurso há mais tempo, caso do projeto de preparação que afirma ter lançado em setembro de 2024.

O argumento central de Francelino é que a Quadrix teria recorrido a inteligência artificial na elaboração da prova. Como evidência, ele cita duas mudanças de conduta da banca em relação ao que classifica como sua prática histórica. A primeira é a ausência do gabarito comentado, exigência que, segundo ele, decorre da Lei distrital 4.949, que rege os concursos públicos no Distrito Federal. “A Quadrix jamais utilizou nos seus gabaritos, os gabaritos comentados”, afirmou, acrescentando que a banca, que segundo ele aplica provas para o Distrito Federal desde 2014, nunca havia adotado esse formato. A segunda é a divulgação do espelho de correção da prova discursiva, o que também classifica como inédito por parte da banca.

Ao antecipar uma possível objeção, o professor reconheceu que a inteligência artificial é uma ferramenta moderna, mas defendeu que ela ainda não é capaz de substituir uma banca examinadora experiente. “Ainda hoje ela não é capaz de extrair do candidato tudo aquilo que ele pode apresentar”, disse, atribuindo à ausência de legislação específica sobre o tema a impossibilidade de penalizar a banca pela conduta.

Como exemplo prático do que considera uma prova rasa, Francelino citou a parte de português, que trouxe oito questões, todas de compreensão e interpretação de texto, sem itens de gramática. “Muito ruim para aquele aluno que domina a gramática”, afirmou.

Como proposta, sugeriu que bancas que utilizem inteligência artificial dessa forma sejam impedidas de fechar contratos com os poderes públicos municipal, estadual e federal, e não apenas multadas. “Multa nesse país não dá certo”, disse, argumentando que somente essa restrição levaria as bancas a “fazer certames públicos em que pudesse ser capaz de entregar o que há de melhor para a administração e para a sociedade”.

O Instituto Quadrix não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Ao fim do vídeo, o professor informou aos seus seguidores que, após analisar as questões, não identificou possibilidade de recurso administrativo contra o gabarito, mas se colocou à disposição para avaliar questionamentos pontuais enviados por alunos dentro do prazo recursal.

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