O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinalizou a parlamentares que uma eventual abertura de processo de impeachment contra Alexandre de Moraes poderá produzir uma reação imediata: colocar também André Mendonça sob análise da Casa. A estratégia, tratada nos bastidores como um “impeachment cruzado”, funcionaria como mecanismo de contenção diante da crescente pressão sobre Moraes.
A ofensiva ganhou força depois das revelações envolvendo o Banco Master. Senadores passaram a cobrar formalmente providências contra Moraes, enquanto Carlos Viana chegou a pressionar Alcolumbre pelo andamento dos pedidos. O presidente do Senado, porém, mantém sob seu comando o primeiro movimento do rito e, até agora, não abriu processo contra nenhum ministro do Supremo.
Mendonça entrou no tabuleiro após Moraes encaminhar à Presidência do STF documentos com questionamentos sobre a atuação do colega. Em 4 de setembro, Edson Fachin determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste e abriu prazo para que Mendonça apresente sua versão, deixando registrado que a medida não representa julgamento antecipado sobre as acusações. Parte do material utilizado na disputa interna contém avaliações classificadas como de baixa confiança e sem valor probatório, o que impede tratar as suspeitas como fatos comprovados.
Na prática, Alcolumbre transforma o custo político de afastar Moraes em uma espécie de efeito dominó dentro do STF: mexer em um ministro poderia significar abrir caminho para atingir outro. O recado reduz o entusiasmo de setores que pressionam pela saída de Moraes, mas também expõe até onde chegou a crise entre Senado e Supremo — e, agora, dentro da própria Corte.




