Quase 2 milhões de brasileiros trabalham por aplicativos com alta informalidade e jornadas longas

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
O Brasil atingiu a marca de aproximadamente 2 milhões de trabalhadores vinculados a aplicativos em 2025, o que representa 1,9% de toda a população ocupada no país.
Segundo dados do módulo especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, o setor é dominado pelos serviços de transporte e entregas.
O levantamento mapeou 1,2 milhão de motoristas de passageiros, seguidos por 376 mil entregadores e 313 mil prestadores de serviços gerais ou profissionais.
A pesquisa revelou que a principal motivação para o ingresso nessas plataformas digitais foi a dificuldade de encontrar oportunidades no mercado de trabalho tradicional.
Embora o rendimento médio mensal líquido dos chamados “plataformizados” seja de R$ 3.147, valor estatisticamente empatado com o dos demais ocupados no setor privado, essa remuneração exige um esforço significativamente maior.
A jornada semanal média nos aplicativos chega a 44,7 horas, ultrapassando as 39,3 horas dos trabalhadores não vinculados a apps.
Consequentemente, o valor recebido por hora trabalhada é 12% menor.
O cenário é agravado pela ausência de direitos trabalhistas básicos: 72,1% desses profissionais atuam na informalidade, sem acesso a férias ou décimo terceiro salário.
A vulnerabilidade social fica ainda mais evidente na falta de contribuição previdenciária, situação alarmante para profissionais diariamente expostos aos riscos do trânsito.
Entre os 405 mil motociclistas de aplicativos no país, apenas um em cada cinco (19,4%) possui cobertura do INSS, garantindo benefícios como aposentadoria ou pensão por invalidez.
Para os 905 mil motoristas de carro, o índice é de apenas 25,5%.
Apesar de quase 87% se declararem trabalhadores por conta própria, a imensa maioria relata total dependência dos algoritmos das empresas para definir tarifas, rotas e prazos, uma dinâmica de subordinação que atualmente fomenta debates no Supremo Tribunal Federal sobre o reconhecimento de vínculo empregatício e os limites da “uberização”.

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