“Governo preguiçoso”: Raimundo Ribeiro detona Rollemberg e diz que crise hídrica no DF foi vergonha evitável
A histórica e traumática crise hídrica que castigou a população de Brasília entre 2016 e 2018 voltou ao centro do debate político com contornos de forte indignação. Em entrevista exclusiva concedida ao programa Vozes da Comunidade, sob o comando do jornalista Toni Duarte, o diretor-presidente da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa), Raimundo Ribeiro, não poupou críticas contundentes à administração do ex-governador Rodrigo Rollemberg, a quem acusou diretamente de inoperância e negligência deliberada frente ao colapso do abastecimento da capital.
Sem meias palavras, o chefe da agência reguladora classificou o período de torneiras secas e racionamento severo como um vexame sem precedentes, cuja responsabilidade recai inteiramente sobre a inércia do Palácio do Buriti na época.
“Aquilo foi vergonhoso para o Distrito Federal, para o povo de Brasília, porque aquilo podia ter sido evitado”, disparou Raimundo Ribeiro.
Segundo o presidente da Adasa, alertas técnicos e relatórios preventivos chegaram à mesa do então governador muito antes de os reservatórios secarem, mas foram solenemente ignorados pelo Executivo local. O motivo, de acordo com Ribeiro, era estrutural daquela administração:
“Aquilo podia ter sido evitado se o governo não tivesse como marca a preguiça. O governo Rollemberg era preguiçoso, todo mundo sabe disso, eu não estou aqui falando nenhuma novidade”, cravou o gestor, completando que a passividade custou caro ao brasiliense. “Foi avisado que haveria uma diminuição, foi avisado que algumas medidas precisavam ser adotadas, não foram adotadas em tempo hábil e aí nós tivemos que fazer racionamento.”
Ironicamente, o mesmo comandante da paralisia que quase secou a capital federal hoje desfruta de prestígio e gabinete no governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva, atuando na Esplanada dos Ministérios na pasta de Desenvolvimento e Indústria sob a benesse das articulações políticas de Brasília.
O contraste da gestão: reservatórios cheios e planejamento
Ao assumir a presidência da Adasa a partir de 2019, na esteira do novo planejamento capitaneado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), Ribeiro destacou que encontrou um corpo técnico pronto para trabalhar, mas que antes carecia de decisão política e comando efetivo. Desde então, foram implementadas diretrizes de curto, médio e longo prazo, além de obras estruturantes e integração de novos sistemas de captação que sepultaram de vez a ameaça da falta d’água na capital.
Os números apresentados durante a entrevista reforçam a distância abissal entre o passado de rodízio e o presente de estabilidade. Mesmo em pleno ápice da estiagem no Planalto Central, os principais mananciais do DF operam com folga: a Barragem do Descoberto registra 85,3% de seu volume útil, enquanto o Reservatório de Santa Maria atinge expressivos 92,2%, ambos classificados em estado hidrológico verde.
Apesar da tranquilidade proporcionada pelas obras e pela fiscalização permanente do GDF, o dirigente fez questão de reiterar que a responsabilidade e o uso consciente da água devem continuar como pilares permanentes da sociedade. Mas deixou claro o compromisso da atual gestão:
“Nós não vamos mais viver aquela desgraça que nós vivemos no governo Rollemberg, que foi aquela crise hídrica”, concluiu Raimundo Ribeiro.
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