Fungos subterrâneos surgem como aliados para restaurar terras degradadas na Mongólia

Foto: Tomas Munita/SPUN
Foto: Tomas Munita/SPUN
Organismos invisíveis a olho nu estão no centro de uma nova estratégia científica para combater a desertificação e os impactos da crise climática global.
Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, pesquisadoras apresentaram resultados promissores sobre o uso de fungos micorrízicos na recuperação do solo mongol.
A tática de restauração ambiental, conduzida pelas cientistas Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren, consiste em isolar de forma estratégica pequenas áreas de pastagem com cercas para impedir a ação humana e a pressão do pastoreio animal.
Esse isolamento transforma os perímetros protegidos em verdadeiros refúgios e bancos vivos de biodiversidade subterrânea.
A estabilização gerada por essa complexa infraestrutura biológica combate diretamente a erosão e recria as condições microbiológicas ideais para o retorno natural da vegetação nativa, que volta a alimentar o ciclo de carbono no ecossistema de maneira sustentável e autossuficiente.
O potencial científico da região surpreendeu a equipe de pesquisadores com a descoberta de uma imensa biodiversidade oculta debaixo da terra.
Cerca de noventa por cento das sequências de DNA fúngico coletadas nas amostras das estepes e na árida região do Gobi pertencem a espécies até então totalmente desconhecidas pela ciência.
Essa altíssima taxa de organismos endêmicos, que são altamente adaptados ao clima local extremo, reforça a necessidade técnica de reproduzir e utilizar apenas as espécies nativas nos projetos de reflorestamento, descartando a introdução de fungos trazidos de outras partes do planeta.
Diante do volume de evidências colhidas experimentalmente, as especialistas agora defendem uma mudança estrutural imediata no foco das políticas globais de conservação ambiental.
A proposta exige a inclusão direta das redes subterrâneas de fungos nos instrumentos governamentais de monitoramento e combate à desertificação, superando o viés científico tradicional que historicamente concentra os esforços de proteção apenas na flora e na fauna visíveis na superfície.
A meta das organizações ambientais é integrar todo esse novo conhecimento a um atlas global, garantindo que o microbioma vital do solo passe a ser tratado definitivamente como um componente indispensável para o equilíbrio climático da Terra.

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