Reestruturação iniciada após a crise de rentabilidade de 2022 e 2023 continua reduzindo a estrutura física do banco; balanço mais recente, porém, mostra que o lucro voltou a crescer
O Bradesco chegou a junho de 2026 com uma estrutura significativamente menor. O conglomerado encerrou o segundo trimestre com 79.699 funcionários, contra 82.147 um ano antes, redução de 2.448 postos de trabalho, ou 3%. A tesoura passou ainda com mais força pela rede física: o número de agências caiu de 2.168 para 1.844 no mesmo período, uma redução líquida de 324 unidades, ou 14,9%. Em março deste ano ainda havia 1.938 agências, o que significa que outras 94 unidades desapareceram da contagem somente no segundo trimestre.

O movimento é consequência de uma transformação iniciada depois de o banco enfrentar forte perda de rentabilidade. O lucro recorrente caiu para R$ 20,7 bilhões em 2022, recuo de 21,1%, em um exercício atingido inclusive pelo provisionamento integral de aproximadamente R$ 4,9 bilhões relacionado a um grande cliente corporativo. Em 2023, a situação se deteriorou novamente: o lucro recorrente caiu para R$ 16,3 bilhões, menos 21,2%, o ROAE ficou em apenas 10%, as despesas com PDD chegaram a cerca de R$ 39,5 bilhões e as despesas operacionais atingiram R$ 54,2 bilhões. Foi nesse ambiente que o Bradesco acelerou um plano de transformação destinado a recuperar eficiência, produtividade e rentabilidade.

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A dimensão do enxugamento aparece com ainda mais clareza quando a comparação volta a 2022: o Bradesco tinha 2.864 agências naquele ano, ante 1.844 atualmente — uma redução líquida de 1.020 unidades, ou 35,6%. Somente nos últimos 12 meses, a rede total de atendimento caiu de 5.226 para 4.107 unidades. O próprio banco relaciona o movimento à busca de eficiência e afirma que vem obtendo economia com a redução das despesas dos pontos físicos e a otimização de seu footprint. No quadro de pessoal, dos 79.699 funcionários atuais, 67.954 trabalham diretamente no Banco Bradesco, 10.885 em empresas ligadas e 860 no exterior.

O paradoxo é que o encolhimento continua justamente quando os números financeiros começam a melhorar. No segundo trimestre de 2026, o Bradesco registrou lucro recorrente de R$ 7,05 bilhões, avanço de 16,2% em um ano, ROAE de 16,2%, receitas de R$ 37,6 bilhões e carteira de crédito de R$ 1,137 trilhão. Ainda existem sinais que exigem atenção: a inadimplência acima de 90 dias subiu para 4,3% e a PDD expandida alcançou praticamente R$ 10 bilhões, alta de 22,6%. Portanto, chamar o momento atual de crise de solvência seria incorreto. O que os números revelam é a longa digestão da crise de rentabilidade iniciada anos atrás — e uma recuperação que vem acompanhada de uma conta pesada para a rede física e para milhares de trabalhadores.




