Elon Musk voltou a agitar o mercado de mobilidade com declarações dignas de ficção científica.
Em meio a discussões nas redes sociais sobre o foco excessivo da indústria em inteligência artificial em detrimento de inovações físicas, o bilionário cravou uma promessa audaciosa: “vocês vão ter carros voadores”.
A fala reacende imediatamente os holofotes sobre a aguardada segunda geração do Tesla Roadster.
O superesportivo elétrico promete revolucionar as leis da física automotiva ao integrar um pacote opcional de propulsores a gás frio, batizado com o codinome A71, tecnologia herdada diretamente da engenharia espacial da SpaceX.
Na teoria, esse sistema composto por 10 micropropulsores não apenas otimizaria curvas, aceleração e frenagem a níveis extremos, mas permitiria que o veículo levitasse brevemente sobre o solo.
Na prática, no entanto, a revolução aerodinâmica da montadora texana continua estacionada no campo das promessas e do marketing de guerrilha.
A expectativa de um lançamento iminente ganhou força nos últimos dias após o designer-chefe da Tesla, Franz von Holzhausen, garantir no programa de televisão Jay Leno’s Garage que o carro chegará “muito em breve”.
Contudo, a resposta evasiva, desprovida de qualquer cronograma técnico oficial, rendeu piadas do próprio apresentador sobre a espera de quase dez anos desde que o protótipo inicial foi apresentado ao mundo, em novembro de 2017.
A falta de transparência sobre o cronograma real virou uma marca do projeto.
O abismo entre as promessas tecnológicas de Musk e a realidade das linhas de produção escancara a estratégia de prioridades da empresa. Ao longo da última década, o desenvolvimento do Roadster foi sistematicamente escanteado para viabilizar projetos de maior escala comercial ou de inteligência artificial autônoma, como o Model 3, o Cybertruck, os robôs Optimus e o recente Cybercab.
Enquanto especialistas da indústria projetam que a verdadeira produção em massa do superesportivo só deverá tracionar entre 2027 e 2028, dezenas de milhares de clientes globais continuam com seus depósitos iniciais de US$ 50 mil congelados nos cofres da empresa, aguardando para descobrir se o carro voador da Tesla ganhará os ares ou se continuará voando apenas na imaginação do seu CEO.




