As famílias brasileiras acumularam um prejuízo líquido de R$ 62,5 bilhões com apostas online, conhecidas como bets, durante o ano de 2025.
Esse montante representa a diferença exata entre o dinheiro apostado e o que foi efetivamente devolvido aos usuários em forma de prêmios, resultando em uma perda média de R$ 4,7 bilhões por mês.
Os dados, baseados em estatísticas oficiais de pagamentos do Banco Central, foram divulgados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) e revelam que as empresas do setor movimentaram a impressionante cifra de R$ 351 bilhões em transações via Pix nesse mesmo período.
O estudo destaca que o volume financeiro destinado às apostas passou a comprometer uma parcela significativa da economia doméstica, consumindo o equivalente a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias e reduzindo os recursos que seriam direcionados a setores como artes, cultura, esporte e recreação.
Apesar da legislação atual exigir que as plataformas bloqueiem o acesso de usuários diagnosticados com comportamento compulsivo, especialistas apontam que essa regra tem sido amplamente ignorada.
Na prática, em vez de travar a conta de pessoas com ludopatia, os algoritmos muitas vezes disparam mais bônus e incentivos, acelerando a perda de todo o capital do indivíduo.
Um ponto de inflexão importante apontado pelo boletim ocorreu a partir de outubro do ano passado, quando entrou em vigência a restrição de apostas para os beneficiários do programa Bolsa Família.
A partir daquela data, o Comsefaz observou uma clara desaceleração no ritmo e no volume agregado das transações financeiras destinadas às bets.
Esse cenário evidencia de forma concreta que as famílias de menor renda possuíam uma participação expressiva e altamente vulnerável nesse mercado antes da proibição entrar em vigor.






