José Roberto Arruda tratou a vaga de vice-governador como isca para atrair o Podemos e tentou transformar Luiz França na nova peça de sua chapa. A investida foi pública, cuidadosamente espalhada pelos bastidores e apresentada como uma negociação capaz de alterar o jogo eleitoral.
O problema é que o flerte terminou sem casamento — e aparentemente sem sequer um segundo encontro. Ao confirmar Luiz França como candidato a deputado federal, o Podemos retirou da mesa justamente o nome cobiçado por Arruda. França preferiu construir o próprio caminho a aceitar o papel de passageiro numa candidatura ainda cercada de dúvidas.
O episódio revela uma fragilidade que o marketing não consegue esconder: Arruda pode carregar lembrança eleitoral, mas ainda encontra dificuldade para transformar nostalgia em aliança. Faz convites, espalha expectativas e anuncia aproximações, mas termina assistindo aos possíveis aliados seguirem outros projetos.
Diz por aí que o seu vice será o pastor Ronaldo Fonseca, mas muitos articulistas que Ronaldo não deseja embarcar num barco que pode afundar logo ali no mar da inelegibilidade.
Na política, quem anuncia o namoro antes de conquistar a noiva corre o risco de passar vergonha no altar. Depois de assediar politicamente Luiz França, Arruda perdeu a opção de vice que nunca chegou a possuir — e ganhou mais uma demonstração pública de que, desta vez, seu passado talvez não seja suficiente para abrir todas as portas.
A convenção do PSD é hoje a tarde veremos quem será o corajoso.






