Declaração do presidente em podcast atinge categoria essencial à Justiça e provoca reação nacional da advocacia.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocou uma nova controvérsia ao afirmar que “advogado criminalista não sabe defender inocente” e que “criminalista defende bandido”. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., quando Lula comentava a escolha de sua defesa após ser preso, em 2018. A frase, apresentada como explicação pessoal, acabou lançando suspeita sobre toda uma categoria profissional.
A OAB de São Paulo repudiou oficialmente a manifestação e classificou a fala como um preconceito inaceitável contra a advocacia criminal. A entidade ressaltou que o criminalista não defende o crime, mas garante o cumprimento da Constituição, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa — direitos que não dependem da simpatia do governante nem da popularidade do acusado.
A reação ganhou dimensão nacional neste sábado, 1º de agosto, quando o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, cobrou uma retratação de Lula. Simonetti pediu respeito aos profissionais e lembrou que a advocacia criminal exerce função essencial à administração da Justiça e à preservação do Estado Democrático de Direito.
A declaração é especialmente contraditória por partir de um político que utilizou todos os instrumentos jurídicos disponíveis para contestar condenações e recuperar seus direitos políticos. Associar defesa técnica à proteção de criminosos pode render uma frase de efeito, mas enfraquece justamente as garantias que impedem o Estado de condenar sem provas ou sem defesa. Desta vez, Lula tentou explicar sua estratégia jurídica e acabou precisando de uma aula pública de Constituição.
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