Vilela consolida liderança no Entorno e rompe antigo domínio de Marconi
A região mais emblemática da relação entre Goiás e Brasília deixa de ser uma reserva política do tucanato e passa a ocupar o centro do projeto de reeleição do governador
A liderança de Daniel Vilela em Goiás não pode ser explicada apenas pelos 37% registrados pela Genial/Quaest. O movimento mais significativo está no Entorno do Distrito Federal, território que durante anos funcionou como uma das principais vitrines políticas de Marconi Perillo. Agora, os 12 prefeitos da região estão reunidos em torno da reeleição do emedebista. O antigo reduto marconista parece ter mudado de comando — e fortalezas eleitorais raramente avisam quando trocam as fechaduras.
A fotografia da aliança é ampla. Gestores de Luziânia, Águas Lindas, Valparaíso, Formosa, Novo Gama, Planaltina de Goiás e outros municípios deixaram de lado diferenças partidárias para apoiar Vilela. União Brasil, MDB, PP, Podemos, PL e PRD aparecem dentro de uma mesma construção regional. Mesmo divididos sobre a disputa pelo Governo do Distrito Federal, os prefeitos chegaram a uma conclusão comum sobre Goiás: o projeto governista oferece hoje maior capacidade de articulação e continuidade administrativa.
Os números ajudam a entender essa adesão. Daniel Vilela avançou de 33% para 37%, enquanto Marconi permaneceu com 21%. A diferença, que era de 12 pontos em abril, chegou a 16. Nas simulações de segundo turno, o governador venceria o tucano por 52% a 28% e superaria Wilder Morais por 54% a 16%. Não se trata apenas de estar na frente, mas de liderar entre diferentes grupos sociais e correntes ideológicas — dos eleitores independentes aos segmentos da direita e da esquerda.
O Entorno reúne aproximadamente meio milhão de eleitores e concentra problemas que exigem cooperação permanente entre Goiás e o Distrito Federal, especialmente em transporte coletivo, infraestrutura, segurança e serviços públicos. Foi nesse território estratégico que Marconi construiu influência durante seus quatro mandatos no governo goiano. A diferença é que, desta vez, Vilela chega com prefeitos, estrutura partidária e vantagem eleitoral. Pesquisa não é sentença — 56% ainda admitem mudar de voto —, mas o mapa político já aponta uma inversão histórica: o Entorno que ajudava a sustentar Marconi agora se transforma na principal muralha eleitoral de Daniel Vilela.
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