Stellantis reage ao avanço chinês usando a própria tecnologia da China

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A Stellantis decidiu responder à expansão das montadoras chinesas no Brasil com uma estratégia tão pragmática quanto simbólica: associar sua força industrial e comercial ao conhecimento tecnológico desenvolvido na própria China. Dona de marcas como Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën, a companhia pretende aprofundar as alianças com Leapmotor e Dongfeng para acelerar lançamentos, reduzir custos e disputar o mercado de veículos eletrificados sem perder tempo reinventando a roda — agora movida a bateria.

A principal aposta está na Leapmotor, fabricante chinesa controlada internacionalmente por uma joint venture liderada pela Stellantis. A marca já possui quase 40 concessionárias no Brasil, deverá mais que dobrar essa rede até o fim de 2026 e terá presença em todos os estados e no Distrito Federal. Os SUVs B10 e C10 serão fabricados no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, como já mostrou o DFMobilidade, enquanto a engenharia brasileira trabalha no desenvolvimento do sistema REEV Flex, que combina tração elétrica com um motor abastecido por etanol para gerar energia.

Outra frente envolve a Dongfeng, parceira da Stellantis há 34 anos. Pelo acordo firmado em maio, a fábrica conjunta de Wuhan deverá produzir, a partir de 2027, dois novos veículos eletrificados da Peugeot e dois modelos da Jeep destinados ao mercado internacional. A operação permite à Stellantis acessar plataformas, componentes e capacidade de pesquisa chinesas, mantendo suas marcas tradicionais na dianteira de uma corrida em que velocidade tecnológica e preço passaram a valer tanto quanto prestígio.

A reação será sustentada por um ciclo de R$ 32 bilhões em investimentos na América do Sul até 2030, sendo R$ 14 bilhões destinados ao complexo de Betim, em Minas Gerais. O movimento ocorre enquanto a mobilidade elétrica avança rapidamente no Brasil e obriga as fabricantes tradicionais a reverem modelos de negócio. A Stellantis percebeu que erguer uma muralha contra a China poderia ser inútil; preferiu transformar antigos adversários em fornecedores de tecnologia para continuar competitiva dentro da própria garagem brasileira.

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