O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17), durante visita à Carreta da Saúde da Mulher, no Rio de Janeiro, que somente fará um pronunciamento mais amplo sobre o tarifaço contra produtos brasileiros depois que Donald Trump se manifestar. “Vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei”, declarou.
Lula disse que pretendia preservar o protagonismo da agenda voltada à saúde feminina, mas aproveitou o microfone para elevar o tom contra Washington. Segundo o petista, o governo mostrará que “contra o Brasil, ninguém ganha mentindo” e que a sociedade brasileira não será enganada. A fala, contudo, manteve sem resposta direta as acusações americanas sobre práticas comerciais consideradas desleais.
A sobretaxa adicional de 25% foi oficializada pelos Estados Unidos na quarta-feira (15) e deverá entrar em vigor em 22 de julho. O governo brasileiro classificou a medida como um “marco lastimável”, anunciou providências na Organização Mundial do Comércio e iniciou os procedimentos da Lei da Reciprocidade — embora aliados do Planalto defendam cautela para evitar uma escalada ainda maior.
Enquanto exportadores aguardam previsibilidade e setores produtivos calculam possíveis perdas, Lula decidiu condicionar sua fala ao relógio político de Trump. O DFMobilidade já mostrou que Marco Rubio atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pelo tarifaço e que o Planalto evitou discursar na audiência pública realizada pelo USTR. Washington já falou por meio das tarifas; Brasília, por enquanto, responde com espera.




