O presidente Luiz Inácio Lula da Silva começou a deslocar nomes de confiança do Palácio do Planalto para reforçar a engrenagem de sua pré-campanha à reeleição. A mudança mais simbólica foi a saída de Ricardo Stuckert, fotógrafo histórico do petista, do cargo de secretário de Produção e Divulgação de Conteúdo Audiovisual da Presidência. No papel, uma exoneração “a pedido”; na política, o velho recado: quando a eleição aperta, até a moldura da foto vira estratégia.
Stuckert deve atuar na comunicação digital da campanha ao lado de Nicole Briones, ligada à estratégia digital do PT. A movimentação também alcança a Secretaria de Imprensa da Secom, com auxiliares previstos para migrar ao núcleo eleitoral. Ou seja: o governo que deveria entregar resultado acelera a transferência de operadores para vender narrativa. A prioridade, ao que parece, saiu do balcão da gestão e foi parar no estúdio da propaganda.
O calendário ajuda a explicar a pressa. A propaganda eleitoral oficial só começa em 16 de agosto, mas desde 5 de julho já há espaço para movimentações intrapartidárias e organização de pré-candidaturas, desde que não haja pedido explícito de voto. As convenções partidárias ocorrerão de 20 de julho a 5 de agosto, enquanto o primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
A troca no Planalto não é um detalhe administrativo; é sintoma político. Lula chega à disputa tentando transformar governo em palanque, comunicação em trincheira e aliados em cabos eleitorais de luxo. A aposta é clara: reforçar a presença digital, controlar a mensagem e blindar a imagem presidencial antes que a campanha comece oficialmente. No país real, porém, marqueteiro não baixa preço no mercado, não reduz fila, não melhora salário e nem resolve a carestia. No máximo, escolhe o melhor ângulo da fotografia.




