Bancos batem recorde sob Lula e lucram R$ 255 bilhões

Foto: Reprodução
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O sistema bancário brasileiro fechou 2025 com lucro líquido recorde de R$ 255 bilhões, segundo dados atribuídos ao Banco Central. O resultado ocorre em um ambiente de juros elevados, crédito caro e forte pressão sobre famílias endividadas. Para os bancos, foi um ano histórico. Para o consumidor, nem tanto — como diria o mercado, a fatura chegou com spread incluso.

De acordo com o levantamento publicado por Claudio Dantas, a rentabilidade do setor também avançou. O retorno sobre o patrimônio líquido, conhecido pela sigla ROE, chegou a 16,76% em 2025, maior patamar desde 2021. O dado reforça a força do setor financeiro em um período no qual a taxa Selic chegou a patamares elevados e o crédito seguiu restritivo para empresas e consumidores.

O contraste político é evidente. Enquanto o governo Lula critica publicamente o nível dos juros e tenta transferir ao Banco Central parte do desgaste econômico, os bancos registram o maior lucro da série. A combinação de Selic alta, spreads robustos e concentração bancária mantém as instituições financeiras em posição confortável, mesmo com desaceleração do crédito e aumento das provisões para perdas.

O próprio Banco Central, no Relatório de Estabilidade Financeira de maio de 2026, afirmou que a rentabilidade do Sistema Financeiro Nacional permaneceu praticamente estável, com resiliência e capacidade de geração de lucro para reforço de capital. O BC também destacou que o aumento dos resultados operacionais compensou, ainda que em ritmo menor, a elevação dos custos com provisões.

Na prática, o sistema financeiro conseguiu preservar margem mesmo em ambiente de maior cautela. O BC apontou que o custo de captação e a inadimplência contribuíram para a alta do Índice de Custo de Crédito e do spread em 2025, reflexo direto de uma economia com juros altos, crédito caro e famílias mais comprometidas com dívidas.

O tema dialoga com reportagem já publicada pelo DFMobilidade sobre a queda da Selic para 14,5% ao ano, quando o portal mostrou que, apesar do corte promovido pelo Copom, o bolso do brasileiro continuava pressionado pelo custo do dinheiro. A redução pontual dos juros, naquele momento, não significou alívio imediato para quem dependia de cartão, cheque especial ou crédito pessoal.

A discussão também toca o debate sobre concentração bancária e estabilidade do sistema. Em outra frente, o DFMobilidade acompanhou os desdobramentos envolvendo o BRB e o Banco Master, incluindo a operação bilionária de fortalecimento do Banco de Brasília aprovada pela Câmara Legislativa do DF. O caso mostrou como decisões sobre bancos têm impacto direto não apenas no mercado financeiro, mas também na política local e na confiança institucional.

O Banco Central sustenta que não há risco relevante para a estabilidade financeira. Segundo o relatório, o Sistema Financeiro Nacional segue capitalizado, líquido e com provisões adequadas. Também afirmou que os testes de estresse indicam resiliência do sistema bancário diante de cenários adversos.

Ainda assim, o recorde de lucro reacende uma pergunta incômoda para Brasília: se o governo diz combater os juros altos, por que o setor bancário vive uma fase tão lucrativa justamente sob esse ambiente econômico?

A resposta passa menos pelo discurso e mais pela estrutura. Com juros elevados, crédito caro, alta concentração e margens preservadas, os bancos atravessaram 2025 no azul forte. Já o brasileiro comum continuou fazendo conta no vermelho — e sem direito a ata do Copom para explicar o aperto no fim do mês.

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