Benefício de até R$ 15 mil, criado em 2025, já alcançou mais de 250 famílias em situação de vulnerabilidade no Distrito Federal
A dona de casa Maria Cristina Alves da Silva, moradora de Santa Luzia, na Estrutural, recebeu neste sábado, 13 de junho, o Cartão Material de Construção das mãos da governadora Celina Leão. O benefício do Governo do Distrito Federal (GDF) será usado para reconstruir a casa da família, atingida por um incêndio que destruiu parte importante do pouco que havia no imóvel.
A entrega ocorreu durante visita da chefe do Executivo à comunidade. Maria Cristina se emocionou ao lembrar o dia do incêndio e relatou que a família viveu um momento de dor e perda. Segundo ela, a casa ficou em situação “muito triste”, com pertences queimados e a sensação de recomeçar praticamente do zero.
O Cartão Material de Construção é uma política habitacional voltada a famílias em situação de vulnerabilidade social que precisam reformar, ampliar ou reconstruir suas casas após emergências. No caso de Maria Cristina, o auxílio representa mais do que compra de tijolo, cimento e telha. É a diferença entre improviso e moradia minimamente segura. No Brasil real, às vezes o Estado chega tarde; desta vez, chegou com concreto.
Durante a visita, Celina Leão afirmou que esteve na residência logo após o incêndio e encontrou uma situação de alta vulnerabilidade, com uma senhora idosa, neto e familiares dividindo o mesmo espaço. A governadora disse que o papel do Estado é estar próximo das pessoas nos momentos de maior dificuldade e garantir condições para que a família reconstrua a casa em alvenaria.
Criado pelo GDF em maio de 2025, o programa garante até R$ 15 mil para compra de material de construção. O cartão é destinado a famílias desalojadas ou desabrigadas por situações de emergência ou calamidade pública, como incêndios, chuvas fortes, alagamentos, enxurradas, vendavais, deslizamentos e realocações em áreas de risco.
As situações precisam ser confirmadas pela Defesa Civil, em articulação com a Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedes-DF). Além disso, a família deve comprovar renda de até cinco salários mínimos e residência no Distrito Federal nos últimos cinco anos. O valor é disponibilizado por meio de cartão magnético emitido pelo Banco de Brasília (BRB), com prazo de uso de até 90 dias.
A ação integra um conjunto de medidas sociais e habitacionais que vêm sendo executadas pelo GDF em áreas vulneráveis. Em fevereiro, a Agência Brasília informou que o Cartão Material de Construção já havia sido entregue a 263 famílias no Recanto das Emas e em Santa Luzia, na Estrutural, com investimento empenhado de R$ 3,735 milhões. Na mesma linha, o DFMobilidade já mostrou que o governo anunciou entrega de terrenos e cartões-material de construção para famílias em situação de vulnerabilidade, dentro de uma agenda habitacional que mira justamente quem mais precisa do poder público.
Santa Luzia também passa por obras estruturantes. A região, considerada uma das mais vulneráveis do DF, recebeu autorização para implantação de sistema integrado de saneamento básico, com redes de água e esgoto, galerias pluviais, bacias de detenção e outras intervenções. O investimento citado pelo GDF é de R$ 100 milhões, com previsão de beneficiar mais de 20 mil pessoas.
Em outra frente, reportagem anterior da Agência Brasília registrou que obras de infraestrutura na comunidade incluem saneamento, energia elétrica e melhorias urbanas. A publicação destacou investimento de mais de R$ 92 milhões em saneamento integrado e R$ 9 milhões em rede elétrica, com instalação de postes e cerca de 30 km de rede pela Neoenergia Brasília.
A entrega do cartão a Maria Cristina reforça a aposta do governo local em políticas públicas de resposta rápida para famílias em situação de emergência. Não resolve todos os problemas históricos da Estrutural — seria milagre demais para uma única política pública —, mas muda a realidade de quem perdeu a casa e precisa reconstruir a vida com urgência.
No caso da moradora de Santa Luzia, o benefício simboliza recomeço. Depois do incêndio, a família passa a ter a chance de substituir a precariedade por uma estrutura mais segura. Para quem viu o fogo consumir o pouco que tinha, receber material para levantar as paredes de novo não é favor. É dignidade em forma de política pública.






