Os preços do petróleo bruto registraram forte oscilação nesta quarta-feira, impulsionados pela retomada dos confrontos militares diretos entre os Estados Unidos e o Irã.
O receio global de uma interrupção severa no fornecimento fez as cotações dispararem no início do dia, mas os valores recuaram rapidamente perto do fechamento.
O barril tipo Brent encerrou a sessão com uma leve alta de 0,27%, cotado a cerca de 91,70 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) americano avançou 0,26%, atingindo 88,43 dólares.
A volatilidade do mercado reflete a recente escalada bélica: forças americanas atacaram sistemas de defesa aérea e radares iranianos em retaliação ao abate de um helicóptero dos EUA próximo ao Estreito de Ormuz.
Como resposta, a Guarda Revolucionária do Irã assumiu a autoria de ataques com drones a posições americanas, incluindo alvos estratégicos na Jordânia.
Além do conflito geopolítico, o mercado absorve o impacto da queda acentuada nas reservas estratégicas de energia.
Dados recentes do Instituto Americano de Petróleo apontaram que os estoques de petróleo bruto dos EUA despencaram em 9,12 milhões de barris na primeira semana de junho, configurando a oitava queda semanal consecutiva.
A Administração de Informações de Energia (EIA) confirmou o cenário de retração acentuada e emitiu um alerta informando que as reservas da OCDE caminham para os níveis mais baixos registrados desde 2003.
Apesar desse aperto sistêmico e da tensão militar, analistas apontam que o avanço descontrolado dos preços tem sido contido por alguns fatores de equilíbrio.
A desaceleração das importações chinesas e a atuação contínua de uma verdadeira frota fantasma de petroleiros iranianos, com pelo menos 69 embarcações transportando petróleo clandestinamente, têm ajudado a evitar um choque de oferta mais severo no mercado.
A tensão no Oriente Médio e as expectativas macroeconômicas desencadearam fortes reações em diversas classes de ativos ao redor do mundo.
Surpreendendo os investidores que tradicionalmente buscam segurança, o ouro operou em forte queda: os preços à vista recuaram para 4.146,43 dólares por onça, indicando uma rápida liquidação de posições antes da divulgação do próximo relatório de inflação americano.
O impacto também foi sentido de forma agressiva nas bolsas asiáticas.
O índice Kospi da Coreia do Sul despencou 4,52% em meio à venda em massa de ações de empresas de tecnologia.
O Nikkei japonês e o Hang Seng de Hong Kong também registraram baixas consideráveis.
Na contramão do pessimismo asiático, os mercados europeus conseguiram ignorar a volatilidade global e mantiveram certa estabilidade, com o índice Stoxx 600 apresentando leves ganhos ao longo do dia.






