Tráfego de navios no Estreito de Ormuz despenca em meio à escalada militar entre EUA e Irã

Foto: reprodução das redes sociais
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O tráfego comercial pelo Estreito de Ormuz sofreu uma queda drástica nesta semana, reacendendo os temores globais sobre o fechamento da principal rota de escoamento de petróleo do mundo.

A instabilidade logística foi agravada após uma nova escalada militar: na noite de segunda-feira, o Irã abateu um helicóptero Apache do Exército americano, provocando uma dura retaliação na noite de terça-feira, quando os Estados Unidos atacaram sistemas de defesa antiaérea e radares iranianos.

Em resposta imediata, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou contra-ataques a posições americanas na Jordânia, no Bahrein e no Kuwait.

O registro da empresa de inteligência marítima Windward apontou que apenas 11 embarcações cruzaram o estreito na terça-feira, dia nove de junho, um contraste brutal em comparação às 138 travessias diárias observadas antes do início do conflito, no final de fevereiro.

Na manhã desta quarta-feira, dia 10, o presidente americano Donald Trump declarou que o governo iraniano pagaria o preço por ter demorado a negociar um acordo.

Apesar da queda abrupta no tráfego visível, as evidências de mercado sugerem que o fluxo real de petróleo é significativamente maior devido à atuação de uma verdadeira frota fantasma.

Dados consolidados pela empresa de análise Vortexa indicam que 65% dos navios-tanque que operaram na região em maio desligaram seus transponders do Sistema de Identificação Automática (AIS), ocultando propositalmente suas rotas.

Forças americanas e plataformas de dados marítimos, como a Kpler, contabilizaram centenas de embarcações comerciais transitando de forma clandestina e indetectável nos sistemas públicos nos últimos meses, o que tem amenizado parcialmente o choque direto de oferta global.

Demonstrando uma rápida adaptação a esse cenário de restrição, a Kuwait Petroleum Corporation retomou a oferta de petróleo bruto para refinarias asiáticas pela primeira vez desde o início da guerra, com pelo menos quatro milhões de barris já tendo cruzado o corredor estreito em direção a mercados como China e Coreia do Sul.

Apesar do clima de tensão bélica contínua, os preços do petróleo surpreenderam ao recuar: o barril tipo Brent era negociado perto de 94,27 dólares na manhã desta quarta-feira, apresentando queda em relação à marca de 97,15 dólares registrada no início da semana.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, garantiu que o tráfego de navios já apresenta sinais de aumento significativo, mas alertou ao mercado que a normalização total do fluxo operacional na região levará meses.

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