A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A ação cumpre 31 mandados de busca e apreensão, oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico e outras ordens constritivas expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências ocorrem em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal.
A nova etapa da investigação mira suspeitas de organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de patrimônio e dilapidação de bens. No centro da apuração estão entidades que teriam realizado cobranças associativas diretamente nos benefícios de aposentados e pensionistas sem autorização válida dos segurados.
O caso é grave porque atinge justamente uma parcela vulnerável da população: pessoas que dependem do benefício previdenciário para sobreviver. Segundo dados já divulgados pela CGU, milhões de beneficiários podem ter sido afetados por descontos associativos sem consentimento, com impacto estimado em até R$ 6,3 bilhões.
A própria CGU apontou, em auditoria anterior, que a maioria dos aposentados ouvidos afirmou não ter autorizado os descontos. Também foram identificadas falhas na documentação apresentada por entidades que mantinham acordos com o INSS para operar cobranças em folha.
A Advocacia-Geral da União (AGU) já havia pedido o bloqueio bilionário de recursos de associações suspeitas. Parte dessas entidades é apontada como organização de fachada, criada para viabilizar fraudes contra beneficiários da Previdência Social. A investigação também apura eventual pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
O episódio reforça uma pergunta inevitável: como um esquema dessa dimensão conseguiu avançar dentro da estrutura previdenciária por tanto tempo sem barreiras eficazes? Em um país onde o governo federal costuma pedir paciência ao cidadão, faltou justamente o básico: vigilância sobre o dinheiro de quem já trabalhou a vida inteira.
A nova fase da Operação Sem Desconto amplia a pressão sobre o INSS, sobre as entidades investigadas e sobre o próprio governo federal, que agora precisa demonstrar capacidade real de reparar os aposentados prejudicados, punir os responsáveis e impedir que a máquina pública continue servindo de porta aberta para abusos contra quem menos pode se defender.
Siga o DFMobilidade nas redes sociais e acompanhe as principais notícias de Brasília, política, mobilidade e poder.
Instagram: @dfmobilidade
Facebook: DFMobilidade




