A política brasiliense é, por excelência, o palco onde o xadrez do poder exige nervos de aço e, sobretudo, memória fotográfica. Na última semana, o Distrito Federal assistiu a um flerte perigoso com o abismo: um vídeo do governador Ibaneis Rocha (MDB) sugerindo um quase impensável rompimento com a sua vice e sucessora natural, Celina Leão (PP), seguido de uma réplica incisiva da governadora. O princípio de incêndio, contudo, parece ter esbarrado na dura realidade dos fatos e na sabedoria pragmática de quem tem um DF a perder.
Desde as eleições de 2022, a aliança entre Ibaneis e Celina não foi apenas uma chapa vitoriosa; foi a construção de uma muralha política poderosa. O governador referendou, indicou e preparou (venceu batalhas internas) o terreno para que a “Leoa” assumisse a cabeça de chapa no pleito de outubro próximo. Rasgar essa cartilha às vésperas da eleição seria, no jargão popular, entregar o ouro ao bandido. Ou, na linguagem da política nua e crua: estender um luxuoso tapete vermelho para a esquerda brasiliense.
O filósofo florentino Nicolau Maquiavel já alertava, há mais de cinco séculos, que “dividir para conquistar” é a tática de quem ataca, e nunca a de quem defende a própria fortaleza. A desunião entre os líderes do Buriti seria o cenário dos sonhos para o apetite voraz do PT – que já opera com sua habitual “eficiência” questionável no Palácio do Planalto –, além de dar fôlego a fantasmas do passado como Rodrigo Rollemberg e figuras carimbadas como o “ficha suja” José Roberto Arruda. São grupos com interesses obscuros, salivando diante da possibilidade de fatiar o patrimônio e a administração da capital.
Mas, ao que tudo indica, a ficha caiu. Neste sábado (23), abençoado pelos ares da tradicional Festa do Divino, em Planaltina, Ibaneis Rocha demonstrou que o instinto de sobrevivência e a racionalidade política falaram mais alto. Em um tom pacificador e agregador, o líder do MDB recalibrou a bússola do grupo, assumindo as rusgas naturais de quem divide o peso do poder, mas cravando a rota da vitória.
“Nós não podemos esquecer do nosso governador… Que será a nossa candidata reeleita”, declarou-se no evento, reafirmando o compromisso com Celina. O governador foi cirúrgico ao minimizar o episódio da última semana: “Esse grupo é um grupo que, divergências, nós temos até dentro de casa. Aliás, dentro de casa são quase todos os dias. Mas o que é melhor é saber conciliar”.
A declaração é um balde de água fria na oposição esquerdista que já encomendava o chope para comemorar a ruptura. “E esse que é o caminho, o caminho da conciliação. O caminho do respeito, o caminho da integração. Vamos caminhar todos juntos”, sentenciou Ibaneis.
Um barco dividido afunda no porto. O projeto de centro-direita que reergueu o Distrito Federal não pode se dar ao luxo de vaidades temporárias quando há tubarões rondando a embarcação. A aliança Ibaneis-Celina provou que funciona na gestão e nas urnas. O recado de Planaltina é claro: a união não é apenas uma escolha retórica, é o único escudo viável para blindar Brasília do retrocesso lulopetista e dos oportunistas de plantão. Que a conciliação pregada pelo governador seja, de fato, a argamassa a selar essa muralha até outubro.
Por: Khaio Peixoto – editor chefe
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