Faltando poucas semanas para o início da Copa do Mundo de 2026, sediada em conjunto por Estados Unidos, México e Canadá, as ruas do Distrito Federal já começam a ganhar as cores da Seleção Brasileira.
O Gama, região com forte tradição esportiva e berço de grandes nomes do esporte, é um dos pioneiros na mobilização. Moradores de longa data, como Telma Rejane e o policial militar Florestan Matos, lideram vizinhanças inteiras na pintura de calçadas e do asfalto, resgatando o costume de transformar o espaço público em um grande ponto de encontro comunitário para acompanhar os jogos do Brasil.
A estreia da Seleção, comandada pelo técnico Carlo Ancelotti, está marcada para o dia 13 de junho contra o Marrocos.
Para incentivar a prática, a Administração Regional do Gama está promovendo um concurso para eleger as quadras mais enfeitadas.
A iniciativa não apenas embeleza a cidade, mas também reforça a relação histórica da capital com o futebol, evidenciada pelos recordes recentes de público no estádio Mané Garrincha e pela importância do Bezerrão, no próprio Gama.
O estádio local, que passou por investimentos de R$ 3,9 milhões em infraestrutura, servirá inclusive como centro de treinamento para as seleções durante a Copa do Mundo Feminina de 2027.
O ato de pintar as ruas a cada quatro anos transcende a simples decoração festiva; trata-se de um profundo fenômeno de apropriação do espaço urbano.
Em regiões com uma cultura de rua pulsante como o Gama, onde o asfalto é historicamente ressignificado pela comunidade, seja por crianças improvisando traves de golzinho, seja pela juventude que transforma o concreto e os obstáculos urbanos em pistas para a prática diária do skate a via pública deixa de ser apenas um corredor de trânsito e passa a atuar como uma extensão do próprio lar.
Essa intervenção temporária na infraestrutura viária reforça o senso de pertencimento e a coesão social.
Ao colorir coletivamente o pavimento e organizar a dinâmica da vizinhança para os dias de jogo, os moradores quebram a frieza do planejamento urbano tradicional, criando uma rede de convívio analógica e altamente engajada.
É a materialização de que a vitalidade de uma cidade não reside apenas em seus monumentos monumentais ou arenas bilionárias, mas na capacidade de sua população de reivindicar, adaptar e viver intensamente os espaços do próprio bairro.




