O prolongado conflito entre os Estados Unidos e o Irã provocou um efeito imediato no mercado automotivo global, acelerando a transição para os veículos elétricos de forma mais drástica do que anos de incentivos governamentais e políticas ambientais.
Com as interrupções logísticas no Estreito de Ormuz, o barril de petróleo Brent ultrapassou a marca de 110 dólares, elevando o preço da gasolina a níveis recordes em diversos países.
Como reflexo direto dessa insegurança energética, o mês de março de 2026 registrou vendas históricas de carros movidos a bateria em grandes mercados da Europa e da região Ásia-Pacífico.
Na Europa, os registros de novos veículos elétricos a bateria (BEV) cresceram 48,9% em março, ultrapassando pela primeira vez a fatia de 20% do total de vendas de automóveis no continente, com Itália, França e Alemanha liderando a alta.
O salto foi ainda mais expressivo na Ásia e na Oceania: a Austrália viu a comercialização de elétricos disparar quase 89%, enquanto países como Japão, Coreia do Sul e Nova Zelândia registraram aumentos que variaram do dobro a mais do triplo em relação ao ano anterior.
Em termos globais, 1,75 milhão de unidades foram vendidas em apenas um mês, um avanço de 66% em comparação a fevereiro.
Apesar do boom generalizado, os Estados Unidos apresentaram um cenário de retração nas vendas.
Embora as pesquisas por modelos eletrificados tenham atingido níveis recordes entre os consumidores americanos, as vendas efetivas caíram cerca de 25% na comparação com março de 2025, um recuo atribuído diretamente ao fim do crédito fiscal federal de 7.500 dólares.
Para os especialistas e analistas do setor, o atual choque do petróleo deixou de ser visto como uma crise passageira e se tornou um ponto de virada estrutural, consolidando a adoção dos veículos elétricos não apenas como meta climática, mas como uma apólice de segurança definitiva contra a volatilidade dos combustíveis fósseis.










